Um momento histórico para o cooperativismo. Com a presença dos ministros Pepe Vargas, do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), e Gilberto Carvalho, Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, surgiu nesta semana uma nova organização nacional do cooperativismo solidário. A Unicopas (União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias) surge com o desafio de congregar e representar nacionalmente as organizações do cooperativismo de economia solidária. A cerimônia que marcou a criação da nova organização aconteceu na noite da última quarta-feira, na sede da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

Três entidades se unem para formar a Unicopas: a Unicafes (União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária), a Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários) e a Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil). Desta maneira, os três presidentes das cooperativas formam a primeira diretoria da Unicopas. Ademir Possamai, presidente da Unicafes, é o primeiro presidente. Francisco Dalchiavon, da Concrab é o primeiro secretário, e Arildo Mota Lopes, da Unisol, o tesoureiro da Unicopas.

O deputado federal Assis do Couto observou que a criação da Unicopas acontece em momento oportuno, quando todos os olhos estão voltados para a agricultura familiar no Brasil. “O nosso País é referência na agricultura familiar e produção de alimentos. Neste ano, o Ano Internacional da Agricultura Familiar, temos muitos desafios nesta área. Nós temos, no Brasil, uma Lei de minha autoria que define e regulamenta a agricultura familiar. Contudo, temos alguns pontos dessa lei que ainda não foram regulamentados, como por exemplo a questão do cooperativismo da agricultura familiar”, disse o deputado, que acredita na criação da Unicopas para pressionar o governo para regulamentar a lei.

Já o ministro Gilberto Carvalho acredita que a criação da Unicopas pressiona o Congresso Nacional para a aprovação da Nova Lei do Cooperativismo. “Eu acredito que esta nova organização terá força para fazer o projeto passar pelo congresso e inaugurar uma nova fase deste polo, responsável pela libertação econômica de tantos brasileiros”, afirmou. “A nós, do governo, cabe em primeiro lugar não atrapalhar”, brincou. E acrescentou: “E em segundo lugar abrir espaços de apoio e de incentivo, de jogar terra para que essa planta cresça”.

Pepe Vargas, por sua vez, falou sobre a importância da organização social para o desenvolvimento do País. “Nos últimos 11 ou 12 anos de governo, o brasileiro passou a ter acesso a bens de consumo que antes não tinha. A criação dessa organização significa, também, oportunidade para que as pequenas cooperativas ocupem esse espaço. Caso contrário, esse espaço será ocupado por grandes grupos, que não se preocupam com a formação da sociedade”, disse. Para Vargas, o maior desafio neste ano de 2014 é transformar cidadãos consumidores em cidadãos participativos e preocupados com o desenvolvimento do Brasil. “E essa é uma tarefa que os movimentos sociais tendem a cumprir melhor do que nós, do governo”, concluiu.