Diante das crises que o Brasil enfrenta, tanto econômica como política, o cenário se agrava e torna a situação incontrolável em decorrência da crise moral pela qual a sociedade brasileira passa. “Essa, talvez, seja a pior de todas as crises”, avalia o pároco da Catedral do Senhor Bom Jesus, padre Evandro de Melo. Para ele, com todos os acontecimentos, envolvendo políticos, empresários e outras classes, “vemos que o bem pessoal se sobrepõe ao bem social”.

Citou o exemplo do trânsito, pois quando há fiscalização, o motorista respeita todas as leis, andando da maneira correta. “Quando não se tem essa fiscalização, você se acha no direito de infringir essas normas. Você não é um criminoso, mas é um infrator”, aponta padre Evandro, destacando que se em situações corriqueiras podemos ter certas atitudes, o cenário se agrava quando políticos, que têm poder de decisão sobre os rumos do país, também adotam posturas semelhantes, pelo simples fato de não estarem sendo fiscalizados.

Porém, lembrou que toda a população tem sua responsabilidade. “Eu me recordo que a duas eleições atrás, foi realizada uma pesquisa em que 22% dos eleitores paranaenses declararam ter, de uma forma ou outra, vendido seu voto, e naquela eleição, o governador ganhou por uma diferença de apenas 1% dos votos. Ou seja, esses 22% que venderam seu voto, acabaram decidindo a eleição. Aí nós vemos que, de fato, o problema da corrupção no Brasil é uma crise moral, que afeta todo o nosso povo”, avalia.

Orienta para que os eleitores, no momento de exercerem seu direito, analisem o histórico dos candidatos, principalmente, daqueles que já ocupam cargos públicos há vários mandatos e que já não representam e nem trabalham pelo “bem social”. “Segundo um filósofo, a única forma de se fazer uma autêntica reforma política é através do estranho político, aquele indivíduo que não é político de carreira, que nunca se envolveu em disputa partidária e que ele possa ter a oportunidade de fazer as leis que dizem respeito a quem é político de verdade”, lembrando os projetos para reforma eleitoral que tramitam no Congresso, mas que não representam, amplamente, os anseios da população.