Há dois anos o mundo se comovia com o acidente aéreo que matou 71 pessoas perto de Medellín, na Colômbia. Entre as vítimas estavam a equipe da Chapecoense, jogadores, comissão técnica, jornalistas e convidados. Apenas dois tripulantes e quatro passageiros entre eles Jackson Follmann, Alan Ruschel e Neto sobreviveram ao acidente aéreo.

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(Foto: Reprodução/Twitter)

A comoção permanece, ao redor do mundo inúmeras homenagens são realizadas na data de hoje, a COMMEMBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol) iluminou seu edifício e fez uma publicação no Twitter com a seguinte legenda: “Iluminamos nosso edifício de verde em homenagem aos guerreiros da @chapecoensereal”.

Na manhã desta quinta-feira (29) a abertura do programa esportivo “PLACAR 98” da Rádio Onda Sul FM, foi tomada por muita emoção ao reproduzir a música em homenagem à Chapecoense: “Heróis de Verde”.

O jornalista Everton Leite comandante do programa, esteve em Chapecó em 2016 para realizar a cobertura e a repercussão do acidente e relembrou o momento, através de um depoimento emocionante: “O fatídico dia 29 de novembro de 2016 jamais será esquecido. Lembro que quando acordei, meu whatsapp tinha muitas mensagens e todas falavam do acidente ocorrido na madrugada. De cara duvidei, mas depois conferindo as informações em sites confiáveis, pude perceber que era verídico. Na hora, me veio na cabeça, o zagueiro Neto, que é casado com a Simone, uma beltronense. Quando surgiram os primeiros sobreviventes, fiquei meio sem entender, porque acidente que envolve avião, normalmente, não há sobreviventes, ou se alguém conseguir escapar ficará com sequelas eternas. Dentre aqueles que foram encontrados com vida, em nenhum momento, apareceu o nome do Neto. Quando cheguei à rádio, o assunto principal era esse, e não tinha como ser diferente.

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Everton Leite (Reprodução/Facebook)

Ademir Augusto e eu entrevistamos várias pessoas, dentre elas, familiares do presidente da Chape Sandro Palaoro, que são de Pato Branco, e a esposa do Neto, que estava em Chapecó, em pratos, pois já estavam encerrando as buscas por sobreviventes e o Neto não havia sido encontrado ainda. Simone concedeu entrevista, como se o Neto não voltasse mais, como se fosse mais uma vítima fatal do acidente. Numa rápida reunião da equipe de jornalismo, me candidatei para fazer a cobertura e a repercussão do acidente em Chapecó, com os colegas da Rede Celinauta, que também decidiram ir para lá. Fui, sabendo que seria triste, mas não tinha ideia, do tamanho da tragédia. Quando cheguei lá, meu instinto jornalístico e profissional aflorou e fui à busca da informação, correndo de um lado para o outro, das 10h30 até por volta das 18h, sem almoçar, sem descansar, sem se dar conta de qualquer outra coisa. Fiquei focado no meu trabalho e coletando informações. Fiz várias entrevistas, acompanhei choro de familiares e desespero dos torcedores. Na sala de imprensa da Chapecoense, redigi o texto que usaria para a matéria do dia seguinte. Quando tinha finalizado tudo, e que estávamos nos arrumando pra ir embora, a equipe da Celinauta e eu, foi que me lembrei de que não tinha comido nada, talvez nem água tivesse tomado o dia todo. Voltei para casa com a sensação de dever cumprido. Depois que tomei banho e fui contar para a Bárbara, minha esposa, o ocorrido, que me dei conta o quão triste foi fazer a cobertura desta tragédia, e o tamanho do impacto que isso causou para Chapecó. Depois, mais calmo, percebi que tudo estava fechado e todos estavam vivendo o luto, como se alguém da própria família tivesse morrido. Tudo que aconteceu ficará guardado num lugar bem especial do meu cérebro e do meu coração. Já considerava a Chapecoense meu segundo time, mas agora o considero muito mais do que isso”.

 

Confira a canção “Heróis de Verde”, homenagem à Chapecoense: