Professor Fernando Manosso mostra os gráficos gerados por meio do estudo/ Foto: Assessoria
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Professor Fernando Manosso mostra os gráficos gerados por meio do estudo/ Foto: Assessoria

Um trabalho de campo desenvolvido pelos alunos da disciplina de Climatologia, do curso de Engenharia Ambiental, da UTFPR, Campus de Francisco Beltrão, identificou a formação de ilhas de calor em diversas áreas do município. A coleta foi realizada no dia 18 de abril na malha urbana do município, exceto cidade norte, e posteriormente mapeada por meio de um software. As ilhas de calor marcam a diferença grande de temperatura em locais próximos.

Alguns dos pontos que colaboram para a formação das ilhas de calor são a concentração de edificações, o tipo de material utilizado para impermeabilização urbana, a ausência de áreas permeáveis e de árvores. Uma das consequências do fenômeno climático é o desconforto térmico. As ilhas podem impactar em diversas questões, até mesmo na financeira, devido ao uso de ar condicionado para gerar um conforto.

O trabalho coletou dados de temperatura e umidade do ar em 211 pontos da cidade, durante um intervalo de meia hora. As oito equipes de estudantes percorreram 28 quilômetros com um termômetro para aferição. De acordo com o professor da disciplina, Fernando Manosso, a coleta deve ser rápida para evitar que a as condições do próprio dia interfiram nos resultados. “Fizemos os trabalhos às 15h30, momento da saída do pico de temperatura do dia, e a velocidade é necessária já que conforme o passar do tempo a temperatura vai diminuindo já que o sol vai se pondo”, explicou.

Foram identificadas as primeiras evidencias de três ilhas de calor, próximo ao trevo do Alvorada, próxima ao Detran e próxima ao bairro Industrial. Os locais apresentaram temperatura acima da média e áreas com menor número de árvores. “É comprovado que a vegetação arbórea minimiza os efeitos do desconforto térmico, por isso é tão importante trabalhar a arborização nos municípios”, destacou o professor. Os estudos devem ter continuidade, inclusive no período noturno.

Para diminuir ou eliminar as ilhas de calor podem ser desenvolvidas ações de arborização das vias públicas e espaços de lazer, aumento de áreas permeáveis nas vias e lotes urbanos, além de utilizar pavimentos mais ‘frescos’ constituídos de cores mais claras, mais porosos e intercalados com vegetação, de modo que possam irradiar menos o calor absorvido. “O asfalto tradicional, por exemplo, chega a ter 20 graus a mais que a temperatura ambiente, enquanto que um pavimento de concreto, sob as mesmas condições, pode possuir apenas 5 graus de diferença”, enfatizou Manosso.

Outro dado indicado pela pesquisa é que quanto mais próxima a zona rural ou áreas de vegetação original, menores as temperaturas e maiores os índices de umidade.

Além da relevância para a cidade os alunos têm a oportunidade de trabalhar o conteúdo na prática. A aluna Yuna Koyanagi considera importante o trabalho em campo, “foi muito interessante pois na cidade não temos estudos que abrangem esse tema de ilhas de calor. Realizar aulas práticas além de estimular o aprendizado dá suporte para nossa experiência profissional”, destacou.