Com a forte queda que o preço do feijão vem sofrendo, boa parte da safra segue estocada nos barracões, gerando prejuízos para os produtores que não conseguem vender a sua produção e também para aqueles que estão colhendo milho e trigo e não encontram espaço adequado para armazenar os grãos.

Com o passar dos meses, o feijão armazenado perde qualidade e a situação só piora. No Paraná, cerca de 120 mil toneladas do grão está estocada, esperando uma reação positiva no mercado. Muitos produtores, já sem esperança de melhoras, não continuaram com a colheita, preferindo deixar o feijão apodrecer na lavoura do que acumular mais prejuízos com a colheita e o transporte para mercados que paguem um pouco mais pelo produto. Com o preço atual, nem mesmo os gastos com o plantio conseguiram ser cobertos.

Protesto de produtores em Três Barras do Paraná. Foto:Portal Cantu
  • Compartilhe no Facebook

Protesto de produtores em Três Barras do Paraná. Foto:Portal Cantu

No mês de agosto, como forma de protesto, agricultores da região oeste do Paraná reuniram-se e distribuíram nove toneladas de feijão para a população. Em clima de revolta, reclamavam da promessa de que o Governo Federal compraria os estoques de feijão, o que não se cumpriu.

Em entrevista ao RBJ.com.br na última semana, o secretário da agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, explicou que o excesso de oferta fez com os preços do feijão caíssem, com a situação se estendendo  desde o inicio do ano. Segundo ele, juntamente com a Federação da Agricultura do Estado (FAEP) e as cooperativas, estão sendo buscadas tratativas com o Governo Federal para que auxilie os produtores comprando a produção excedente, por meio da política agrícola nacional.

Norberto Ortigara
  • Compartilhe no Facebook

Norberto Ortigara

Ressaltou Ortigara, que o montante enviado para a compra é muito pequeno e não satisfaz as necessidades do Estado. ”Nós pedimos R$ 37 milhões para agosto, R$ 40 milhões para setembro e mal e porcamente tivemos liberados R$ 20 milhões para todo o país.”, disse.

Em consequência disso, o feijão sofrerá uma redução significativa na sua área de cultura para a próxima safra. De acordo com o secretário estadual, o Ministério da Agricultura deverá anunciar medidas de socorro para o setor. “Esperamos que, de fato, elas venham, façam efeito positivo e que o Governo Federal compre os excedentes. É inadmissível deixar feijão estragando nas lavouras, enquanto temos tantas carências alimentares em boa parte do Brasil.”, cobrou.