Sustentar a família nem sempre é uma tarefa fácil. Agora, imagine se o provedor do lar tem esquizofrenia, depressão e síndrome de Tourette (transtorno neuropsiquiátrico). E a auxiliadora da casa tem cistos no útero em decorrência da última gestação e ficou impossibilitada de trabalhar ou fazer força, porque sente muitas dores. Essa é a situação da família do seu Ademir Gonçalves da Silva e dona Ivanir da Silva, moradores na rua Avestruz, 121, no bairro Padre Ulrico, em Francisco Beltrão. Juntos, têm quatro filhos, Deivid (14), Rodrigo (13), Tiago (11) e Giovane (6). Todos estão devidamente matriculados e estudando na escola do bairro.

O fato é que o seu Ademir não tem emprego fixo, nem estudo e a única forma de ganhar dinheiro é fazendo “bicos” ou cuidando dos carros, próximo ao ginásio Arrudão, em dias de jogos do Marreco Futsal. Porém, a dificuldade é cada vez maior e os problemas só aumentam. Hoje, a família vive com R$ 500,00 por mês, oriundos do programa Bolsa-família. Por causa dos problemas de saúde, Ademir não consegue manter a frequência de trabalho e começou a faltar a comida dentro de casa.

Para não roubar ou partir para o caminho ilícito, seu Ademir procurou a rádio Onda Sul Fm, na semana passada, pedindo socorro. Junto, levou o coquetel que toma de remédios – são sete tipos diferentes – e um deles que não está disponível na estrutura municipal e custa aproximadamente R$ 100,00 a cartela, e ele precisa tomar duas por mês. Prontamente a história foi acompanhada pelo jornalista Luiz Carlos Baggio e Everton Leite que realizaram uma campanha de solidariedade em pról da família. A resposta da população beltronense foi imediata e foi arrecadado roupas, cobertores, travesseiros, mas principalmente comida. “ As pessoas doaram dinheiro, mas transformamos em mantimentos, artigos de limpeza e higiene pessoal, e outros produtos como chocolate, refrigerante, iogurte, bolachas e salgadinho”, disse Everton Leite, jornalista da Onda Sul. O fato que chamou a atenção foi de que, depois da entrega, o menino Deivid, 6 anos, pulou na cesta de donativos e rapidamente abriu a caixa de bombom, comendo inclusive com papel, tamanha a vontade que ele e os irmãos tinham de comer chocolate. Uma advogada também se sensibilizou com a história e vai acompanhar juridicamente a possibilidade de aposentadoria por invalidez.

Ademir disse que sentia vergonha em estar pedindo a ajuda das pessoas, mas que estava muito feliz por proporcionar aos filhos alguns alimentos que há muito tempo eles não tinham acesso. Emocionado, ele fez mais um pedido, que se possível, alguém doasse uma máquina de cortar grama para ele poder trabalhar e as telhas da casa, porque têm muitas goteiras. Para a felicidade da família, tudo que foi solicitado, foi conseguido. “ A expectativa é que eles possam usar com sabedoria e discernimento todos os produtos que foram doados. Que a família não passe mais, por tantas dificuldades como agora. E que as pessoas que se comprometeram em ajudá-los nos outros meses, possam confirmar esse compromisso. Fizemos a nossa parte de divulgar e ficamos satisfeitos com o envolvimento e a participação da comunidade beltronense”, finalizou Everton.