Na manhã de hoje (10), o senador Roberto Requião (PMDB), em entrevista à Rádio Club de Palmas, sul do Paraná, avaliou as situações que o Estado e o Brasil vivem. Na opinião do parlamentar, os governos devem encarar as crises, como oportunidades de melhorias em suas gestões, acertando os erros e alcançando o crescimento.

Reconheceu que o país necessita de um ajuste fiscal, mas não da forma que está sendo aplicado. Citou o exemplo da Grécia, que desde 2010 enfrenta uma crise econômica e que ainda o seu Governo não achou saída. Conforme Requião, o Brasil está adotando as mesmas medidas do país europeu. “Governos podem errar e podem acertar, todos somos passíveis de erros, de encaminhamentos inoportunos na condução da economia. Mas não podemos entrar nessa porta do liberalismo econômico que acabou com a Europa”, justificando tratar-se de uma política que defende o “capital vadio”.

Questionado sobre qual modelo de governo deveria ser exercido no país, citou como exemplo os períodos em que esteve à frente do Governo do Paraná, em que, manteve as tarifas de energia congeladas, mesmo em períodos de crises energéticas. Explicou que as hidrelétricas “velhas”, já amortizadas, produzem energia a um custo muito baixo e com isso, em tempos de crise, com o acionamento das usinas termelétricas, a Copel obtém grandes lucros, decorrente da alta no valor da energia. Segundo Requião, quando governador, utilizou os lucros da Copel Geração e aumentou o capital da Copel Distribuição, o que evitou o reajuste de tarifas. Questionado sobre as declarações do atual governo, de que a população está pagando agora pelo congelamento nas contas de luz, o senador classificou como “um argumento safado e idiota”.

Rebateu alegando que o atual governo estadual aumentou a distribuição dos lucros aos sócios privados da Copel, e reajustou as tarifas para compensar as perdas. De acordo com Requião, essas medidas, dentre outras, acabaram afetando outros setores da governabilidade, fazendo com que o Executivo busca-se a aprovação do chamado “pacotaço”, que cortava uma série de benefícios, principalmente da classe do magistério. “O capital tomou conta do Governo e os interesses econômicos administram o Paraná. O Governo não trabalha mais para o povo”, declarou.

Sobre a greve dos caminhoneiros que movimentou várias partes do país entre os meses de fevereiro e março, Requião classificou como uma manifestação de interesse dos transportadores e não dos motoristas. “Como é que você explica uma greve de caminhoneiros que reivindica aumentar a carga horária dos motoristas? Eles queriam que o motorista pudesse trabalhar 12 horas por dia, dia após dia, semana após semana, mês após mês. Isso leva os motoristas a tomarem os “rebites”, o que acaba provocando desastres e colocando em risco a vida dos caminhoneiros e de todos nós que andamos nas estradas.”, avaliou.

Criticou o Governo Federal pelo aumento dos combustíveis, o que, na sua opinião, “foi um erro brutal”, pois no mercado internacional, o preço do petróleo bruto baixou 75%. “O Brasil não tinha porque aumentar os combustíveis”, condenando mais uma vez o liberalismo econômico que o Governo vem adotando.

Sobre a divulgação dos nomes de agentes que podem estar envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, declarou seu apoio à Justiça Federal, porém, acredita estar faltando alguns nomes a serem investigados na operação Lava-Jato. “Eu acho muito bom que essas coisas sejam reveladas. E aquela lista pode ter gente inocente, mas tá faltando muito bandido ali também”, disparou. Por outro lado condenou as intenções de, em meio aos escândalos, entregar a estatal brasileira ao capital estrangeiro como forma de protegê-la.

Enfatizou a necessidade de a população protestar em meio aos cenários vividos, “não aceitar, fazer valer a nossa voz, gritando alto. Nós temos que encarar a realidade com pessimismo, mas projetar com otimismo pro futuro. Nosso país é um país maravilhoso. O Paraná é um estado incrível. Vivemos um momento ruim, mas vamos em frente, vamos superar tudo isso.”, finalizou.