O Concílio Vaticano II, realizado no período de 1962 – 1965, constitui, sem dúvida, um marco referencial na história da Igreja Católica e na sua relação com a sociedade. Convocou a Igreja a abrir-se aos novos tempos, chamando-a para uma renovação. Implicou em dar à Igreja uma nova configuração conceitual, fundamentá-la na Palavra de Deus e na celebração do mistério da fé, e explicitar a necessária ação da Igreja em relação a si mesma e em relação ao mundo. Na sua realização foram aprovados 16 documentos: sendo 4 constituições, 9 decretos e 3 declarações.

A Semana Teológica deste ano (29/07 a 02/08) propõe o estudo de um destes Documentos Conciliares: a Constituição Pastoral Gaudium et Spes (alegrias e esperanças). A mesma refere-se sobre a presença e as responsabilidades da Igreja e dos cristãos no mundo de hoje.

Este documento foi aprovado no dia 07 de Dezembro de 1965, mesmo dia em que foram aprovados os decretos sobre as Missões (Ad Gentes); sobre o Sacerdócio (Presbyterorum Ordinis) e a declaração sobre as religiões não cristãs (Dignitatis Humanae).

Este documento é qualificado como “Constituição Pastoral” por afirmar que à base de princípios doutrinários, a constituição pretende expor a posição da Igreja em relação ao mundo e aos homens de hoje.

Já no seu início, o documento acentua a importância e missão da Igreja, sobre esta temática, afirmando: “é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho, para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu caráter tantas vezes dramático” (GS 4). Pois, salienta o texto, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo, e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história” (GS 1).

Na trajetória histórica do Concílio, poucos documentos mexeram tanto como a Gaudium et Spes. Basta dizer que foi o único documento elaborado todo inteiro durante o próprio Concílio. O Papa Paulo VI, na mensagem de Natal daquele ano assim referiu a ele: “O encontro da Igreja com o mundo atual foi descrito em páginas admiráveis na última Constituição do Concílio… Elas levam de novo a Igreja ao meio da vida contemporânea, não para dominar a sociedade… mas para iluminá-la, sustentá-la e consolá-la. Essas páginas, assinalam o ponto de encontro entre Cristo e o homem moderno e constituem a mensagem de Natal deste ano de graça ao mundo contemporâneo”.

No seu proêmio e introdução, o documento apresenta a condição do homem no mundo atual. Na sequência (quatro capítulos), o documento apresenta-se de cunho mais doutrinário, destacando as verdades sobre o homem, sua relação com o mundo no qual está inserido, e seu relacionamento com estas realidades.

Na parte final (cinco capítulos), o documento apresenta a sua face pastoral, e passa a considerar alguns problemas particularmente urgentes para os homens de hoje, tais como: a dignidade do matrimônio e da família; o progresso da cultura; a vida econômica social; a vida da comunidade política e a comunidade dos povos e a construção da paz.

Mergulhando no documento, compreende-se que a Igreja não está alheia aos problemas do mundo, ignorando suas “mudanças profundas e rápidas”. Enquanto novos desafios surgem por todos os lados, ela sempre renova as aspirações e esperanças do ser humano enquanto imagem e semelhança de Deus. Por estar no mundo, a Igreja tem a necessidade de compreendê-lo para poder evangelizá-lo.

Pe. Geraldo Macagnan

Coordenador Ação Evangelizadora.