Estrangeira, sem falar o português, sem emprego e com a única certeza de que em poucos dias estaria sem abrigo e sem alimentação. Nestas condições  a haitiana, Mariê Iolande Fermond, 54, buscou com o departamento de jornalismo da Rádio Club AM de Palmas. E nessa semana participou da programação jornalística da emissora onde contou a sua situação e pediu apoio.

Em poucas palavras  em língua portuguesa pronunciadas  com sotaque francês  e confundidas aos  dialetos de seu país,  com olhos marejados de lágrimas,  Mariê contou que veio ao Brasil, de forma legal e com visto  permanente,  e foi  contratada para vir a Palmas, sul do Paraná,  ainda em 2013,  para trabalhar em um projeto de construção de 126 casas populares por um grupo de trabalhadores de seu país de origem.

No canteiro de obras, localizado no Bairro São Francisco, era responsável pela alimentação dos trabalhadores haitianos e da limpeza do alojamento e encerrados os serviços ia trabalhar na obra como aplicadora de rejuntes em pisos cerâmicos. Ia tudo bem até que parte dos serviços foram sendo concluídos e  o surgimento de  um contratempo contratual entre a construtora responsável pelas obras e a empresa que contratou os trabalhadores da América Central.  Os haitianos rescindiram contrato de trabalho com a a contratante de mão de obra  e seguiram com a construtora para outra obra em Joinville, Santa Catarina. Em Palmas, sem salário e sem emprego restou,  abandonada,  a haitiana.

A mulher, sem qualquer outra opção,  procurou apoio de órgão assistencial  no município, que prontamente providenciou abrigo em uma pensão da cidade por tempo determinado. Quase esgotando o tempo inicialmente estipulado para sua permanência no local,  através de um primeiro contato com o repórter Alencar Pereira,  Mariê veio até  a emissora  para contar seu drama. Disse que estava muito preocupada e  não sabia o que  fazer, temendo ter que ir morar na rua sem qualquer condição de sobrevivência.  

Após os relatos, o jornalismo da emissora recebeu a informação de que o CREAS – Centro de Referência Social do município havia providenciado novas possibilidades de permanência da haitiana na pensão por mais um tempo. Além disso, o órgão também acompanha o trâmite de uma ação trabalhista movida por Mariê.  Até que não haja decisão judicial, a haitiana deverá permanecer no município aguardando.

Questionada sobre o seu futuro, Mariê Iolande contou que o que queria era trabalhar para conseguir recursos e depois decidir se permaneceria na cidade, iria para outra região ou retornaria ao Haiti.