por Ivan Cezar Fochzato

A Unidade de Conservação Federal RVS( Refúgio da Vida Silvestre dos Campos de Palmas) localizada entre os municípios de Palmas e General Carneiro, após cinco anos de criação por decreto presidencial, está elaborando o seu primeiro Plano de Manejo. O trabalho foi iniciado na última semana, na sede do ICMbio(Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), em Palmas.

A primeira reunião técnica contou com a participação de representantes do ICMbio; Célia Lontra e Edilene Menezes, da COMAN( Coordenação de Elaboração e Revisão de Plano de Manejo ); do Chefe do Refugio em Palmas, Leoncio Pedroza Lima; da analista ambiental da Estação Ecológica Mata Preta, em Abelardo Luz, SC, Marcia Casarin Strapazzon; Letícia Ulandowski, Sérgio Morato e Marcela Tempo, que integram a STCP, empresa de consultoria especializada e do representante dos proprietários de terras no interior da unidade, Martim Ribas.

Na reunião foi discutida a organização do planejamento, sendo também reservados períodos para atividades prévias de reconhecimento campo. A previsão dos envolvidos no trabalho é de que num prazo de 18 meses, o Plano de Manejo já esteja concluído.

Conforme Leoncio Pedroza, do ICMbio, que é chefe e gestor do RVS, será o primeiro Plano de Manejo em um Refúgio Federal, e os recursos necessários são oriundos de conversão de multas aplicadas por agressões ambientais na área, possibilidade também inédita em nível de Brasil. O processo de conversão de multas que está sendo possível através do empenho e discussões entre analistas ambientais que passaram pelo RVS, Procuradorias Federais, Coordenadorias e Diretorias do ICMBio e do IBAMA. Conforme ele, a experiência obtida em Palmas, poderá servir de modelo para outras Unidades de Conservação do país.

Explicou ainda que a categoria de Refúgio de Vida Silvestre é um espaço onde deve haver a conciliação entre a proteção integral do ambiente no interior de propriedade privadas, e a exploração econômicas através de várias atividades produtivas. Analista do ICMbio em Palmas, Pedroza , destacou que o trabalho em um RVS é tarefa árdua, e a concretização do Plano de Manejo se deve ao empenho dos analistas ambientais que trabalharam e trabalham na UC: Rodrigo Torres, Vivian Uhlig, Carlos Abrahão, Marcia Strapazzon.

 

REFÚGIO SILVESTRE DOS CAMPOS DE PALMAS

 

O REVIS dos Campos de Palmas é uma Unidade de Conservação (UC) de proteção integral, situado nos municípios de Palmas e General Carneiro (PR), foi criado através de Decreto Federal, em 03 de abril de 2006, abrangendo uma área de 16.582 hectares.  O objetivo da UC é a proteção dos ambientes naturais necessários para a persistência da flora e fauna residente ou migratória, especialmente os remanescentes de campos naturais, as áreas de campos úmidos e várzeas, bem como realizar pesquisas científicas e o desenvolvimento monitorado de atividades de educação ambiental e turismo ecológico. Os refúgios de vida silvestre não necessariamente precisam ter suas áreas desapropriadas, desde que haja compatibilidade entre o uso das propriedades privadas e os objetivos da Unidade.A ZA desta UC compreende 500 metros em projeção horizontal, a partir de seu perímetro, e adentra o estado de Santa Catarina, no município de Água Doce.A vegetação da área é composta pelos campos naturais, associados com capões de Floresta Estacional Decidual e Semi-Decidual, ou capões de Floresta Ombrófila Mista, que atuam em importantes serviços ambientais e auxiliam na conservação dos recursos hídricos da região, por abrigar as nascentes do rio Chopim e Iratim, além de diversos cursos dágua e banhados.Para a fauna, podem ser encontrados mamíferos como o morcego (Chrotopterus auritus), o bugio (Alouatta guariba clamitans), o lobo-guará (C. brachyurus) e a aves como a noivinha-de-rabo-preto (Xolmis dominicanus), entre outros grupos animais.As principais atividades econômicas desenvolvidas na unidade são o pastoreio extensivo, exploração da erva-mate, cultivo de grãos e silvicultura. O REVIS ainda guarda um importante registro sociocultural de antigas construções do início da ocupação e da passagem dos tropeiros pela região, além de manter o modelo de pecuária tradicional. (Fonte e Foto: Apremavi)