As questões políticas foram fundamentais para elevar o preço da tarifa do pedágio e a redução das obras nas rodovias do Paraná. A avaliação é do líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Nereu Moura, ao participar na manhã desta terça-feira (18), da audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga o pedágio rodoviário no Estado.

A reunião, no Plenarinho da Assembleia, teve como convidado o ex-conselheiro do Tribunal de Contas e ex-secretário dos Transportes do governo Jaime Lerner, Heinz Herwig. A privatização das rodovias do Paraná foi implantada em 1998, tendo o ex-secretário como um dos coordenadores do processo.

Antes das eleições de 1998, diante da cobrança popular devido aos altos preços, Lerner acordou com as concessionárias uma redução de 50% no valor das tarifas. Após o pleito, e a vitória nas urnas, o ex-governador autorizou o reajuste retornando o valor com correção anual.

Contexto

Em 2000 e 2002 foram realizados aditivos. Para segurar o preço do pedágio, as empresas ficaram desobrigadas de executarem obras previstas no contrato original. “Sem dúvida a questão política interferiu de maneira a elevar as tarifas do pedágio e reduzir os benefícios dos usuários, que seriam as duplicações, terceiras faixas, trincheiras e viadutos”, disse Nereu Moura.

“Tenho muita consideração pelo ex-secretário Heinz, que foi um grande tocador de obra e por isso mesmo posso falar que o (Jaime) Lerner foi o maior desastre para o Paraná. No governo dele tivemos as vendas do Banestado, da Sanepar, da Celepar, da Ferroeste, a privatização das rodovias e por pouco não entregamos também a Copel”, lembrou o líder do PMDB.

Próximos passos

A audiência com Heinz foi à última etapa da fase de oitivas da CPI. A próxima será apenas entre os parlamentares membros, para definir o encaminhamento final da Comissão. À imprensa, Nereu Moura disse que “a CPI já tem as informações necessárias para fazer o relatório”.

A próxima reunião deverá ocorrer terça-feira (25), no Plenarinho da Assembleia Legislativa.