O Promotor de Justiça da Comarca de Palmas, sul do Paraná, Andre Luiz de Araújo, esclareceu nesta sexta-feira (30) ao RBJ/Rádio Club, sobre a ação do Ministério Público contra três policiais militares da 2ª Cia que foram denunciados ontem(29) por frequentar boate da cidade durante o expediente utilizando a viatura oficial da corporação. Na ação, a 2ª Promotoria requer a condenação dos acusados com a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e pagamento de multa.

“Essa ação refere-se a apenas três dos mais de 30 policiais militares da 2ª Companhia. Digo isso para ressaltar que a Polícia Militar de Palmas é competente, é trabalhadora e cumpridora dos seus deveres, mas há estas irregularidades que precisam ser apuradas”, destacou o promotor responsável pelo caso.

Informou que os fatos ocorridos em 2014 foram investigados pela Corregedoria e 5º Comando Regional da Polícia Militar e foram demorados para que não restasse nenhuma dúvida quando aos atos praticados. Inicialmente foram investigados 19 policiais, a partir  denúncias da população  que reclamavam de paradas indevidas das viaturas, tendo ficando constatado que a maioria dos ocorriam realmente para fins operacionais de atendimento a Boletins de Ocorrência.

Entretanto, no período de 15 de maio e 14 de Outubro daquele ano foram contabilizadas mais de 16 paradas que duravam entre três minutos e duas horas em uma boate(casa de prostituição). Além disso, segundo depoimentos de pessoas que trabalham no local, durante as visitas, os policiais forneciam informações privilegiadas sobre uma investigação criminal em curso em troca de programas sexuais. “Tendo sido ajuizada, os denunciados terão, a partir da notificação do Poder Judiciário, prazo de 15 dias para apresentar respostas. A partir dai será realizada audiência de instrução onde serão ouvidas as testemunhas de acusação, defesa e réus até que haja a sentença pelo juízo da Comarca”, explicou.

Caso o Poder Judiciário acolha o pedido do Ministério Público, os denunciados deverão ressarcir o patrimônio pela utilização da viatura para interesses particulares e sofrerão perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e pagamento de multa de até 100 vezes o salário do policial militar. “Novamente é importante ressaltar que não é um fato que envolve todos os policiais de Palmas e, sim, a situações específicas relativas a 2014. Não há porque a população colocar em descrédito o trabalho de toda a corporação”, frisou.

O promotor também ressaltou o papel da população que tem conhecimento das funções do Ministério Público e, como nesse caso, auxiliou no trabalho prestando informações relevantes às autoridades colaborando com o sistema do órgão, da Justiça e da Polícia.