Depois de Pato Branco na tarde de quarta-feira (07), a proposta de concessão PR-280, principal rodovia do Sudoeste do Paraná, foi apresentada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR) em audiência pública também Francisco Beltrão. O evento aconteceu na manhã desta quinta-feira (08) na sede da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste). Com previsão de R$ 3,3 bilhões de investimentos em infraestrutura rodoviária durante um período de 25 anos, o projeto foi debatido junto a lideranças políticas, empresariais, associações e a comunidade.

A mediação das audiências foi feita pelo chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, que destacou a importância do diálogo transparente para definir o futuro da concessão. “As audiências foram organizadas para esclarecer as dúvidas da população e das lideranças da região referentes ao estudo do projeto de concessão. Nosso trabalho é para que o Sudoeste tenha uma infraestrutura rodoviária condizente com a sua economia”, afirmou Rossoni.

representantes de entidades da região entregaram um novo documento ao Governo do Estado, com sugestões de ajustes ao projeto. Foto: Evandro Artuzi/RBJ
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representantes de entidades da região entregaram um novo documento ao Governo do Estado, com sugestões de ajustes ao projeto. Foto: Evandro Artuzi/RBJ

Os estudos técnicos do DER foram elaborados a partir da proposta de manifestação de interesse (PMI) feita pelo Consórcio Caminhos do Sudoeste. A iniciativa teve o apoio integral de mais de 80 entidades, incluindo a Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) e a Associação das Câmaras Municipais do Sudoeste do Paraná (Acamsop).

O secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, destacou durante as audiências a necessidade de investimentos neste corredor rodoviário, reforçando a importância do diálogo com a comunidade. “A PR-280 é a principal rodovia utilizada tanto pelas grandes cooperativas como pelos pequenos produtores da região para o escoamento dos produtos. Nossa intenção é coletar as opiniões de todos os envolvidos para definir a viabilidade do projeto de concessão”, destacou.

Os principais pontos discutidos foram referentes aos investimentos previstos e a possibilidade de incluir, no futuro, novas obras no projeto. Todas as questões foram recebidas pelos representantes do DER-PR e da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística, que irá avaliar os posicionamentos das representações políticas, empresariais e da sociedade na formulação final do projeto de concessão.

Os estudos do DER-PR são voltados à revitalização e modernização de 285 quilômetros da rodovia entre as cidades de Palmas e Realeza. O trecho é composto pelas rodovias PRs 280, 158, 180,483 e 182 e forma o chamado Corredor Sudoeste. No total, os investimentos para a operacionalização, revitalização e manutenção da rodovia durante um período de 25 anos seria de aproximadamente R$ 3,3 bilhões.

O diretor-geral do DER, Nelson Leal Junior, destacou o grande número de investimentos que estão sendo executados nas rodovias paranaenses em parceria com a iniciativa privada. “Nós temos hoje o maior programa de duplicação de rodovia dos últimos 25 anos. Atualmente, estão sendo executados mais de R$ 1,6 bilhão em obras em todo o Paraná que garantem qualidade na prestação de serviços aos usuários”, relatou.

A proposta do governo contempla a restauração de todo o trecho da rodovia, implantação de 109,6 quilômetros de terceira faixa, duplicação da travessia urbana de Realeza, implantação de 6,2 quilômetros de vias marginais, 17 interseções em nível (rotatórias), 10 interseções em desnível (viadutos e trincheiras), duas passarelas, correções geométricas de curvas e a instalação de 107 pontos de ônibus.

No trecho da rodovia serão instaladas 6 praças de pedágio.
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No trecho da rodovia serão instaladas 6 praças de pedágio.

Os estudos técnicos do DER-PR apontaram a recuperação do pavimento e a implantação de terceiras faixas como as medidas prioritárias para investimentos. O levantamento mostrou que 57% da rodovia apresenta condição ótima ou boa para o tráfego de veículos. Dentro da proposta de concessão, a perspectiva é que em um período de 2 a 9 anos, a execução de obras deixe todo o trecho em estado bom ou ótimo para as condições de tráfego.

Além das obras, o projeto prevê a implantação de seis praças de pedágio ao longo da concessão – em Realeza, Ampére, Francisco Beltrão, Renascença, Clevelândia e Palmas. Toda a estrutura operacional será feita por um Centro de Controle de Operações (CCO), que irá realizar o monitoramento da rodovia e contará com serviços de resgate médico (ambulâncias) e resgate mecânico (guinchos), inspeção de tráfego, pesagem de caminhões, painéis de mensagem veiculares e bases de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU).

Em Francisco Beltrão a audiência foi mais tranquila do que a realizada em Pato Branco. Os debates foram mais centrados, com questionamentos feitos por representantes de diversas entidades da região. O ex-prefeito Vilmar Cordasso (PP), por exemplo, fez uma observação sobre os custos para implantação do projeto. Se manifestou favorável ao projeto, explicando que é melhor ter o custo do pedágio do que um custo elevado para fazer a manutenção de veículos e caminhões por conta das péssimas condições das estradas atuais. Além disso, afirmou que o governo poderia ser parceiro nesse processo, assim como acontece com a Copel e Sanepar.

De acordo com o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, as duas audiências foram gravadas e agora todas as propostas debatidas e apresentadas pelas entidades serão avaliadas pelo governo do Estado. Em breve uma nova reunião deverá ser realizada envolvendo representantes de entidades da região.

Uma dessas é a possibilidade de não ser desviado o traçado da rodovia do perímetro urbano de Marmeleiro. O assunto abriu as discussões da audiência, visto que empresários da cidade se posicionaram contrários a construção de um contorno que venha a desviar o tráfego da cidade. A empresária Solange Borges e o empresário Antônio Frozza foram entrevistados pela reportagem da Onda Sul FM/RBJ e explicaram os motivos. Segundo eles, desviar o trânsito vai provocar o sepultamento do comércio, que depende da movimentação no seu dia a dia. Frozza foi além, declarando que se isso ocorrer, será obrigado a demitir funcionários de sua loja, por conta de uma possível queda nas vendas.

 

Fotos: Evandro Artuzi/RBJ