Prefeito de Chapecó (SC), Luciano Buligon. Foto: Marco Favero / Agëncia RBS)
  • Compartilhe no Facebook

Prefeito de Chapecó (SC), Luciano Buligon. Foto: Marco Favero / Agência RBS)

Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (5) na prefeitura de Chapecó, o prefeito Luciano Buligon disse que encaminhou projeto à Câmara de Vereadores solicitando a oficialização de Medellín como cidade-irmã do município catarinense. A proposta é uma forma de agradecimento pelos esforços dos colombianos na liberação dos documentos e pelo cuidado com os corpos das vítimas do voo que levava a delegação da Chapecoense para a disputa da final da Copa Sul-Americana.

A intenção, segundo ele, é construir uma praça com o nome de Medellín e um monumento que expresse toda a solidariedade demonstrada com os 71 jogadores, integrantes da comissão técnica, profissionais de imprensa e convidados mortos no desastre.

Buligon declarou também que é uma “questão nacional” para a Colômbia que os seis sobreviventes brasileiros voltem recuperados e falou dos seus planos para ajudar a reerguer a Chapecoense. O prefeito agora entra de férias e retorna aos seus afazeres no dia 30 para a transmissão do cargo – no caso, uma recondução, já que ele foi reeleito no dia 3 de outubro. Confira trechos da entrevista abaixo:

Missão em Medellín

Eu fui para lá com duas missões: trabalhar para agilizar a liberação dos corpos e saber como estavam os feridos. Quando desci de um dos aviões que trouxe os caixões a Chapecó, no sábado, essas duas missões estavam encerradas. Mesmo sabendo que na cerimônia da Arena estariam autoridades que talvez nunca mais ponham os pés na cidade, ao desembarcar eu só queria ir para casa abraçar meus filhos e minha esposa. Mas, como prefeito, chapecoense, amigo e torcedor, eu não poderia deixar de ir até lá encontrar os pais, mulheres, irmãos, filhos, parentes e amigos das vítimas e levar minha palavra de conforto a eles.

Emoção na Arena Condá

Eu entro ali desde 1993. Para torcer, ganhar, perder, ver obras. Mas nunca daquele jeito. Me senti como um pai que foi buscar um filho morto para entregá-lo à família. No caminho do aeroporto até lá, fui no caminhão que abria o cortejo. Ao me ver passando, uma senhora soltou o celular e o guarda-chuva, olhou para mim e disse: “Muito obrigado”. Naquele momento, pensei que não ia ter forças para chegar até a Arena para a despedida.

Retorno à rotina em Chapecó

Vamos dar uma grande demonstração de união e saber capitalizar todas as energias. Precisamos nos despedir dos que partiram e estender o legado da Chape a toda a cidade. A Chape só chegou onde chegou porque tinha uma administração séria, um povo que torcia por ela e um prefeito que não atrapalhava, seja eu ou os que me antecederam no cargo.

Reconstrução da Chapecoense

Faremos de tudo juntos para reerguer a Chape. O prefeito tem parcela nessa reconstrução, mas todos nós é que iremos reconstruí-la. Já temos uma parceria com o clube via Arena Condá, que é patrimônio público. Além disso, sempre defendi que buscássemos parcerias. Vamos intensificar isso, para transformar o estádio em uma arena multiuso e ampliar sua capacidade de 19 mil para 40 mil torcedores para um dia podermos disputar a final da Libertadores da América lá.

Lições

A gente aprendeu muito nesses últimos dias. Abrace seus pais, seus filhos, seus entes queridos, e não hesite em dizer que os ama muito. Problemas existem para serem enfrentados. Coragem, Deus dá quando a gente precisa.