A Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Palmas, sul do Paraná, lançou nesta terça-feira(08), no Auditório Prof. Danilo Bordignon (CPEA),o Programa de Apadrinhamento para crianças e adolescentes acolhidas no Centro de Abrigo. A iniciativa foi instituída para garantir-lhes o direito à convivência familiar e comunitária. O evento contou com a participação de representantes de várias instituições sociais e públicas, bem como, da iniciativa privada que desenvolvem atividades diretas e indiretas em favor da criança e adolescente.

Três selos de referência para as pessoas que participarem de ações em favor da infância, adolescência e juventude do município foram apresentados durante o evento pela Associação Pro Infância e Juventude; Ministério Público; OAB e Movimento Palmas Desenvolvida.

Durante a apresentação do Programa, o Juiz, Henrique Kurscheidt, salientou que os padrinhos ou madrinhas terão a oportunidade de auxiliar os menores em três segmentos: afetivo, material e prestação de serviços. Quem optar pelo apadrinhamento afetivo deverá ter o afilhado como alguém da família, direcionando a ele carinho, amizade, atenção. Precisará ainda proporcionar à criança ou adolescente vivências na sociedade levando-o, por exemplo, a passeios, aniversários, clubes, cinema ou para passar finais de semana ou feriados na casa do próprio padrinho.

Para o Promotor da Infância e Juventude, Eduardo Garcia Branco, algumas atividades normais para crianças que vivem em condição familiar são distantes da realidade daquelas que vivem no Centro de Abrigo Municipal e o apadrinhamento permitirá oportunidades e realidades totalmente diferentes daquilo que estão acostumadas. “Temos uma sociedade marcada pela desigualdade social e isso acarreta em graves consequências na infância e adolescência que tem seus direitos violados”, disse ele.  Avaliou que a ação de apadrinhamento é extremamente gratificante para quem o faz e fundamental para as crianças para o futuro das crianças.

O Apadrinhamento Material prevê o auxilio no custeio de materiais da vida cotidiana, tais como, escolares, roupas, acessórios, higiene. Já a modalidade de Prestador de Serviços prevê que profissionais, como médicos, donos de academia, proprietários de escolas de cursos, salão de beleza ou de oficinas profissionalizantes, professores ofereçam as suas qualificações profissionais em favor das crianças e adolescentes.

O Programa é destinado a faixa etária entre 7 e 18 anos, por tratar-se de crianças e adolescentes já destituídos do poder familiar, ou seja, os pais perderam o poder de guarda. Então, além de não poderem mais voltar para seus lares, esses menores têm pouca chance de adoção. Isso porque a grande maioria dos candidatos a pais adotivos preferem crianças com pouca idade. Esclareceu o juiz da Infância e Juventude da Comarca, que existe uma impressão equivocada de que as crianças que vão para o abrigo por conta de algum problema por ato infracional ou dependência de drogas e álcool. “O acolhimento naquele local ocorre como medida de proteção a sua segurança e dignidade”, disse ele.

Conforme Padre Sergio Algeri Filho, o programa Apadrinhamento tem total apoio da Igreja Católica, pois a caridade que é um princípio Evangélico. “ Quando a gente faz o bem a gente tem a paz”, disse o Padre que representou o Bispo Dom Edgar Xavier Ertl. Lembrou  que a Igreja tem  histórico muito forte no município na assistência às crianças referindo-se ao trabalho da Eispal e do Colégio Bom Jesus.  “Damos todo o apoio e esse projeto que é uma oportunidade para se criar laços de afeição às crianças”, lembrando o amor de Cristo por elas. Disse ainda que participar dessa ação é exercer a caridade  e manifestar concretamente a fé do Cristão.