Foto: Paulo Novais/Lusa
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Foto: Paulo Novais/Lusa

O incêndio florestal que atinge Pedrógão Grande, na região de Leiria, no centro de Portugal, já dura mais de três dias. As elevadas temperaturas e os fortes ventos fizeram que o fogo avançasse na direção da cidade de Góis, onde a situação é considerada preocupante. O número de mortos avançou para 64 e o de feridos foi revisado para 157. Sete pessoas em estado grave, incluindo uma criança. O incêndio já é considerado uma das maiores tragédias dos últimos 50 anos no país.

Na manhã desta terça-feira (20), colunas de fumaça são observadas nas colinas próximas de Pedrógão Grande e alguns focos de incêndio ainda estavam ativos. Noticiários afirmam que 70% do fogo já está dominado, mas os 30% restante ainda preocupam as autoridades. Em todo o país, quase 2 mil bombeiros estão mobilizados em 80 frentes para combater o fogo. Quase 400 veículos e 11 aviões enviados por países vizinhos são utilizados pelas equipes.

O fogo começou por volta das 15h de sábado (17) no horário local (11h em Brasília). A possibilidade de incêndio criminoso já foi descartada pelas autoridades, que apontam para causas naturais, como as chamadas trovoadas secas, que ocorrem quando a chuva evapora antes de tocar o chão. A incidência de raios pode ter iniciado o fogo.

Um avião, que sobrevoava a região e atuava no combate ao incêndio, caiu na manhã de hoje (20). Ainda não há informações sobre vítimas.

O professor do colegiado de Administração do Campus Palmas do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Alexandre Schlemper, está em Portugal, onde realiza pesquisa para a sua tese de doutorado, e traz detalhes sobre a situação e da comoção do povo português diante da tragédia. Conforme ele, que está na cidade de Évora, há cerca de 150 quilômetros do local do incêndio, o fogo atingiu mais de 30 mil hectares.

O docente conta que a maioria das mortes foram registradas na rodovia IC-08, “que já é tratada como Rodovia da Morte”. Os condutores que trafegavam pelo trecho, rodeado de áreas de reflorestamento de eucalipto, foram surpreendidos pelo fogo e pela fumaça. “A visibilidade era zero. Pelas imagens, alguns motoristas tentaram retornar, outros tentaram seguir adiante, mas, sem enxergar nada, por conta da fumaça, acabavam colidindo em outros veículos, ou saindo da pista, ficando sem rumo. A maioria das pessoas acabaram morrendo dentro dos próprios carros”, relata Schlemper.

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