Por Ivan Cezar Fochzato

 

Nos próximos dias, produtores de maçãs de Palmas, Paraná estarão reunidos com representantes do governo do estado onde solicitarão a intervenção governamental estadual junto a órgãos da administração federal, para que possam ser renegociadas as dívidas dos produtores, que enfrentam a maior crise do setor, com a diminuição da produção, erradicação de pomares e ainda fechamento de unidades e postos de trabalho. A informação foi dada pelo diretor do departamento de agricultura do município, Rodrigo Tomazi Kepen (ÁUDIO) salientando que é necessário um incentivo governamental para a retomada da produção. Destacou que a situação difícil não é só dos produtores de Palmas, mas também de outras regiões produtoras do país, como São Joaquim, Santa Catarina e Vacaria, Rio Grande do Sul. Desta forma, de acordo com Kepen, será necessário a inserção do setor da maçã de Palmas, num pacote de política federal.

 

 

O governo do Paraná já sinaliza com algumas providências para diminuir o drama enfrentado pelos produtores e que estão tramitando, informou o diretor do departamento de Economia Rural (Deral), Francisco Carlos Simioni.
Conforme ele, já foram encaminhados ofícios para a superintendência do Banco do Brasil no Paraná solicitando a necessidade de renegociação das dívidas. Ao Iapar, foi pedido apoio para a revitalização dos pomares. E à prefeitura de Palmas, foi solicitado apoio na orientação aos produtores para a apresentação de uma proposta de desenvolvimento e de revitalização da maçã no município, que poderá ser elaborada em conjunto com a Secretaria da Agricultura.

 

No ofício enviado ao superintendente do Banco do Brasil, o secretário Chandoha solicita o levantamento do processo de endividamento dos produtores de maçã e a possibilidade de renegociação das dívidas, considerando os eventos climáticos graves ocorridos na última safra, bem como a possibilidade de viabilizar novos créditos que permitam a continuidade da exploração da fruta no município. Para o Iapar, Chandoha pediu estudos do órgão para ajudar os produtores na revitalização dos pomares com a introdução de novas cultivares de maçã e de outras frutas adaptáveis ao clima de Palmas.

 

Outro fator determinante para a revitalização seria a introdução de novos clones de cultivares Gala e Fuji com o objetivo de impulsionar a produtividade dos pomares, observou o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, do Deral. Ao prefeito de Palmas, Hilário Andraschko, o secretário pediu o apoio da prefeitura na orientação aos produtores para providenciar a documentação necessária para a renegociação das dívidas, como a apresentação de laudos da assistência técnica pública ou privada para que se tenha sucesso junto aos agentes financeiros. Esses laudos devem comprovar a redução da produtividade dos pomares em função de eventos climáticos e que reduziram, consequentemente de forma drástica, a renda dos produtores.

 

Sobre os custos de armazenagem, considerados elevados pelos produtores, a Codapar informa que está fazendo investimentos visando a melhoria da tecnologia de armazenagem que vai resultar em redução dos custos operacionais que poderá ser transferido para redução tarifária também.Com a tecnologia de atmosfera controlada que será instalada em breve, as frutas podem ficar mais tempo estocadas o que permitirá ao produtor vender a produção em período que a maçã é mais escassa no mercado, conseguindo uma renda menor.

 

FATORES DA CRISE

 

Na análise da Secretaria de estado da Agricultura e Abastecimento, o  problema enfrentado pelos produtores de maçã de Palmas decorre da redução da produtividade dos pomares, provocada por eventos climáticos graves como o excesso de chuvas. Somado a isso, os pomares são antigos, onde quase 60% deles estão acima de 10 anos e não foram renovados o que contribuiu para a queda de produção e produtividade. Na região de Palmas, a produção caiu de 26 mil toneladas para 15 mil toneladas anuais.

 

Além dos fatores climáticos e falta de renovação dos pomares, os produtores também enfrentaram fortes problemas de mercado. À medida que a área ocupada caiu, os preços médios da fruta também caíram, disse Simioni. Com isso, os custos de produção e de estocagem se mantiveram em níveis elevados e a renda do produtor obtida com o cultivo da fruta não consegue sustentar mais a atividade, acrescentou. Paralelamente a esses fatores, a valorização do real frente ao dólar facilitou o aumento de importações de maçãs, contribuindo com a baixa rentabilidade e redução nos preços do produto.