por Ivan Cezar Fochzato( com informações do BRDE)

 

A Associação Brasileira de Produtores de Maçã está reunida na tarde de hoje(27), na sua sede em Fraiburgo (SC)  para avaliar as negociações conduzidas pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) com o governo federal sobre o endividamento do setor, que chega a R$ 350 milhões.

 

Na ocasião, o diretor de Operações do BRDE, Neuto de Conto, vai informar que o Ministério da Fazenda já sinalizou a aprovação da renegociação das dívidas dos produtores da Região Sul, os únicos que haviam ficado de fora dos programas oficiais que adequaram o endividamento da fruticultura nacional e, em 2010, especialmente, do Vale do São Francisco, na Região Nordeste.

 

No último dia 20, Neuto de Conto e técnicos do BRDE estiveram reunidos em Brasília com representantes do Ministério da Fazenda. O encontro também contou com a presença de gestores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil. O resultado da reunião foi que a Fazenda já encaminhou, o que Neuto de Conto chama de “sinalização de decisão positiva”, ao Ministério da Agricultura o pedido para definir em qual linha de crédito enquadrar a renegociação dos produtores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

Por conta de dívidas em atraso, os fruticultores da Região Sul não puderam se habilitar ao financiamento oferecido no último pacote econômico do governo federal para a agricultura, de até R$ 1,6 milhão para a instalação de cobertura de tela sobre os pomares. Esta proteção, com durabilidade de até dez anos, resulta mais positiva e barata do que o pagamento de seguro para enfrentar a geada e o granizo que afetaram gravemente a safra em sete dos últimos dez anos. A renegociação agora sinalizada, habilitaria os produtores dos três estado sulistas para a contratação imediata da cobertura dos pomares.

 

As intempéries se somam, como dificuldade para o setor da maçã, ao câmbio baixo que inibe exportações e privilegia importações da Argentina e do Chile. Mas, os produtores também sofrem pela falta de soluções logísticas. Sem capacidade financeira para investir em armazenagem para a conservação das frutas e regulação do mercado, acabam fornecendo pelo preço de até R$ 24,12 a caixa de 18 quilos de maçã, que vai chegar ao consumidor a R$ 72,98.

 

A produção brasileira se concentra no Sul, com 13,6 mil toneladas de maçã colhidas por ano. Santa Catarina responde por 49% da safra, o Rio Grande do Sul por 45% e o restante, 6%, fica a cargo do Paraná. O setor mantém 168 mil pessoas em empregos diretos e indiretos.