O clima foi de muita tensão neste fim de semana na carceragem da 19ª SDP (Subdivisão Policial) de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado. Os mais de cem presos recolhidos no local se rebelaram no início da noite de sábado (20). A movimentação dos detentos mobilizou um grande contingente policial. Pouco depois da rebelião ter sido iniciada, a Polícia Militar foi chamada para auxiliar a Polícia Civil a manter a ordem no local, evitando depredações. Os presos exigiam a presença de autoridades para negociar.

Juízes e Promotores da VEP (Vara de Execuções Penais e Corregedoria dos Presídios) estiveram na cadeia e com versaram durante um longo período com os presos, que fizeram algumas reivindicações. Eles reclamavam a superlotação carcerária e de maus tratos. Uma juíza se disponibilizou em analisar as reivindicações, com a condição do fim da rebelião, no entanto isso não aconteceu e os presos mantiveram a movimentação durante toda a noite.

Neste domingo (21), por volta das 07 horas da manhã, policiais militares da Rotam dos Batalhões de Francisco Beltrão e Pato Branco, auxiliados pelo Pelotão de Choque do Batalhão de Cascavel e equipes do BPFron (Batalhão de Fronteira) ocuparam a cadeia. Um Promotor de Justiça foi chamado para auxiliar nas negociações e, depois de 15 horas, por volta das 10 horas da manhã a rebelião chegou ao fim. Os presos foram levados ao pátio para contagem e 10 tiveram a transferência autorizada para a penitenciária Estadual de Francisco Beltrão.

Carceragem ficou bastante danificada por conta da ação dos presos. Foto: Polícia Militar
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Carceragem ficou bastante danificada por conta da ação dos presos. Foto: Polícia Militar

O comandante do 5º CRPM (Comando Regional de Polícia Militar), Tenente Coronel Washington Lee Abe, auxiliou no processo de negociação. O oficial agradeceu o trabalho da imprensa que procurou levar ao conhecimento da população informações concretas sobre o motim, sem provocar qualquer tipo de pânico. Segundo ele, a rebelião aconteceu por conta da superlotação da cadeia (atualmente ocupada por 103 presos quando sua capacidade é para 48), retirada de uma parelho celular que estava de posse dos presos e também acusações de maus tratos. A movimentação resultou em sete presos com ferimentos, provocados por conta de desentendimentos durante a rebelião, e muitos danos na carceragem.

Coronel Lee adiantou que as celas ficaram bastante avariadas, com danos em câmeras de monitoramento, sanitários e ainda tiveram as portas arrancadas. A Polícia Civil e o Depen (Departamento Penitenciário do Paraná) tão logo encerrada a rebelião deram início a manutenção dos danos para reconduzir os presos à carceragem.

Segurança no local

Por questões de segurança, a Rua tenente Camargo teve o trânsito bloqueado nas imediações da 19ª SDP. Também foram acionadas equipes do SAMU e do Corpo de Bombeiros para prestar atendimento, em caso de um possível confronto com feridos. No entanto, tudo ocorreu conforme planejado e isso não foi necessário.

Fotos: Evandro Artuzi/RBJ