Na última terça-feira (08), lideranças políticas e representantes de associações de produtores de maçã da região Sul do país, estiveram reunidos em Brasília para apresentar uma pauta de reivindicações à ministra da Agricultura, Kátia Abreu. A presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, Ana Amélia (PP-RS), também acompanhou as manifestações dos produtores, que pediram, principalmente, a proibição da importação de frutas da China, a subvenção do seguro agrícola e a manutenção do status quarentenário da Cydia pomonella.

O presidente da Frutipar (Associação dos Fruticultores do Paraná) e diretor técnico de qualidade da ABPM (Associação Brasileira dos Produtores de Maçã), Ivanir Dalanhol, foi um dos participantes da reunião e em entrevista à Rádio Club de Palmas, Sul do Paraná, falou sobre as discussões na capital federal. Conforme ele, sobre a situação da Cydia pomonella, foi publicada no mês de outubro, a Instrução Normativa 35, contendo o plano de contingência da doença, sendo essa uma forma de obrigar países interessados à exportarem maçãs para o Brasil a se adequarem às normas fitossanitárias. “O aperto maior foi em cima da Argentina, visto que nós importamos muita fruta de lá e estão ocorrendo muitas interceptações de cargas contendo larvas vivas.”, apontou.

Com relação ao seguro agrícola, havia a promessa por parte do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de se buscar recursos entre os ministérios para arrecadar os R$ 55 milhões referentes aos contratos de seguro processados em 2015, hipótese descartada pela ministra Kátia Abreu. Segundo ela, por uma série de situações, os recursos destinados aos contratos deste ano, foram utilizados para o pagamento de contas do ano passado, obrigando os produtores rurais a arcarem com o seguro agrícola. Porém, para 2016, a ministra garantiu o repasse de R$ 700 milhões para a subvenção. “Tomara que esses recursos existam mesmo e que a gente possa manter esse seguro, que é muito importante para o setor produtivo”, comentou Dalanhol.

Dalanhol critiou política de comércio internacional que irá afetar os produtores brasileiros
  • Compartilhe no Facebook

Dalanhol criticou política de comércio internacional que irá afetar os produtores brasileiros

Ponto da reunião que não agradou os produtores, foi o anúncio de que o Brasil irá abrir suas fronteiras para a importação de maçãs e outros produtos da China. Conforme Dalanhol, num primeiro momento, em contato com secretários do Ministério da Agricultura, a informação era de que a China pedia a liberação para maçã, pêra e citrus e que, após a audiência pública realizada em outubro na Câmara dos Deputados, a decisão seria liberar primeiro a importação da pêra, depois o citrus e, por último, a maçã, que talvez nem entraria nas negociações.

Para surpresa, reunidos com a ministra, os produtores foram informados de que, na verdade, a solicitação chinesa é exportar maçã, tripa e pescado, e que o Brasil irá abrir o mercado para a compra desses produtos. “De qualquer forma ela (Kátia Abreu) vai negociar. A ministra, pelo que a gente sentiu, é uma caixeira-viajante. Viaja o mundo inteiro negociando, não interessando se vai ter problema para um setor aqui no Brasil, não importa. O negócio é o comércio internacional.”, criticou Dalanhol, apontando dificuldades para a fruta brasileira com a entrada dos concorrentes chineses.

Em função dessa decisão, foi solicitado então que o Ministério da Agricultura reforce os requisitos fitossanitários para a importação, para aumentar a proteção aos pomares brasileiros e aumente as exigências sobre as produções estrangeiras. “Existe essa questão fitossanitária, para fechar as barreiras, e também a questão do trabalho escravo, que é mundial, e nós temos que analisar se na China não existe esse tipo de trabalho, porque quando nós exportamo para a Europa, por exemplo, auditores vem ao Brasil as condições de trabalho aqui. Nós temos que cumprir tudo, uma série de requisitos, se quisermos exportar para a comunidade europeia e também podemos exigir.”, analisou.