A movimentação na sede do Gaeco (Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado) de Cascavel foi intensa desde as primeiras horas desta quinta-feira.

Os policiais foram empenhados numa grande operação de combate a desvio de carga, que contava com facilitação da polícia.

Segundo o que o Gaeco apurou, durante o trabalho investigativo, o grupo criminoso agia desde 2014. Simulações de roubo de cargas eram realizadas e boletins de ocorrência registrados nas unidades onde havia servidores

A operação de repressão a desvio de cargas ocorreu em cidades do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. Foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão contra 30 pessoas e 11 mandados de condução coercitiva.

A investigação, conduzida pelo núcleo do Gaeco em Cascavel, visa apurar a existência de organização criminosa que desviava cargas de soja para Dourados (MS) e de produtos alimentícios e de limpeza para uma rede de supermercados do Sudoeste do Paraná e uma indústria de alimentos de Pato Branco (PR).

Envolvendo policiais e promotores de Justiça dos Núcleos do Gaeco dos quatro estados, além das Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar e destacamentos locais, a ação abrange os municípios de Realeza, Cascavel, Londrina, Maringá, Terra Roxa, Guaíra, Pato Branco, Capitão Leônidas Marques, Boa Vista da Aparecida, Brasilândia do Sul (todos no Paraná), Campo Grande, Dourados, Cassilândia, Três Lagoas, Corumbá (todas no Mato Grosso do Sul), Amparo-SP e Goiânia-GO.

Motoristas de caminhão freteiros eram cooptados por um núcleo de empresários para o desvio de cargas, simulando assaltos em que diziam terem sido dopados com um líquido. Os falsos assaltos eram registrados em várias delegacias mediante suborno de cerca de R$ 10 mil por boletim, pago a policiais civis, com envolvimento de um policial militar. Em alguns casos, houve participação de advogados para a lavratura falsa dos boletins. São investigados cerca de 25 motoristas, dez empresários e dez policiais.

Foi decretada a prisão preventiva de sete empresários e três funcionários de empresas envolvidas, um advogado, um delegado de polícia (Terra Roxa), quatro investigadores, um policial militar e sete motoristas. Também foi determinado pelo Juízo de Terra Roxa (Oeste paranaense) o bloqueio de bens e valores.

Entre os alvos da investigação estão o ex-prefeito de Capitão Leônidas Marques e o irmão dele, que atuam na área de supermercados.

Nomes de detidos não foram revelados.