Diversos veículos foram apreendidos ontem (13) durante a Operação Corredor Sudoeste, desenvolvida pela Polícia Federal de Cascavel. Entre eles estão motocicletas, automóveis e caminhões.

Eles eram utilizados por uma quadrilha que atuava no contrabando de cigarros há pelo menos dois anos. Oito integrantes do grupo foram presos, quatro ainda são procurados. Os mandados de prisão, além de 20 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Dois Vizinhos, Cascavel, Francisco Beltrão e Venâncio Aires/RS.

Os dois detidos em Cascavel trabalhavam como motoristas para a organização criminosa. Já em Francisco Beltrão, dois donos de laboratórios de análises clínicas foram presos. As empresas serviam para lavagem do dinheiro que o grupo conseguia com o crime – de R$ 3 a R$ 4 milhões por mês.

Entre os presos há também um policial civil de Dois Vizinhos e existe indícios da participação de outros servidores públicos.

“Esse é o que a gente chama de ‘inimigo na trincheira’. São pessoas que se valem do conhecimento por terem cursado uma escola , seja qual for a força pública, se valem disso para orientar os criminosos. Isso ficou bem materializado na investigação. Não somente a facilidade de observar carros, fomos efetivamente abordados por ele para saber o que estava acontecendo e posteriormente, na investigação, comprovamos que as informações eram repassadas à organização criminosa”, explica o delegado operacional Martin Puper.

Na operação, que iniciou em julho do ano passado, foram utilizados 130 policiais, e pela primeira vez a delegacia de Cascavel pode contar com o auxílio do Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado).

“Foi fundamental nas investigações, tivemos economia de pessoal e recursos de uma forma fantástica. A partir da utilização do Vant, a investigação que levaria dois anos foi simplificada para oito meses. Coisas que dependemos até da sorte para descobrir, de cima o Vant enxerga, facilita diligências como localização de depósitos. Agregamos também nos últimos dias um helicóptero da Coordenadoria de Aviação da Polícia Federal e policiais especializados na utilização do helicóptero e em diligências de reconhecimento”, comenta.

A operação recebeu o nome de Corredor Sudoeste porque a quadrilha atuava a partir da região Sudoeste. O cigarro era comprado no Paraguai e levado de carro até Dois Vizinhos, base do grupo. De lá, os produtos eram distribuídos em caminhões para o Rio Grande do Sul e há suspeita que também para Santa Catarina.

“É uma quadrilha extremamente organizada que se valia de olheiros que quando suspeitavam de veículos que poderiam ser de policiais os seguiam até os hotéis em que eles se hospedavam e exigiam dos estabelecimentos a identificação e até a ficha dos policiais tentando dificultar o trabalho policial”, revela o delegado-chefe da PF, Celso Mochi.

Os delegados da PF destacaram ainda que a quadrilha era extremamente violenta e quando necessário jogava os caminhões em cima das viaturas para tentar fugir da fiscalização. Além disso, eles roubavam veículos para utilizar no contrabando.