A araucária, árvore símbolo do Paraná, há mais de 200 milhões de anos habitando o planeta e que já ocupou 40% do território do Estado, ultrapassou a ameaça e entrou em processo decisivo de extinção. O alerta é do professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Flávio Zanetti, que após 30 anos de estudo, constatou que a decadência da espécie atingiu níveis críticos nos últimos anos e, caso nada seja feito, daqui 300 anos, as pessoas só poderão conhecer a árvore através de fotos.

De acordo com ele, o maior problema é que as árvores idosas não estão sendo repostas. Atualmente, a araucária não chegar a ocupar nem 2% do território paranaense. Dentre as medidas que podem ser adotadas para a salvação da espécie, Zanetti aponta que, primeiramente deve-se alterar a legislação vigente no Estado. Conforme o engenheiro agrônomo, quem planta, tem o direito de cortar a árvore “quando bem entende”. No entanto, para obter liberação para plantio e corte da araucária, o interessado deve cumprir uma série de exigências, o que acaba desanimando os proprietários rurais. Outra proposta apresentada pelo estudioso, é fomentar o apelo econômico da araucária, tanto no comércio da madeira, como do pinhão. Segundo ele, através de técnicas especializadas, os produtores podem obter altos rendimentos com o comércio do fruto da araucária.

Para isso, professor Zanetti, que é responsável por pesquisas que geraram o “pinheiro de proveta”, defende técnicas de enxerto como uma saída de extrema viabilidade para incentivar o plantio econômico da espécie. A araucária enxertada, por exemplo, inicia a produção de pinhões em menos de 10 anos, enquanto que sem a técnica, a produção começa entre os 12 e 15 anos da planta.

Em comemoração aos 30 anos de criação do Laboratório de Micropropagação Vegetal, que deu início às pesquisas com a araucária na UFPR, cerca de 1.500 mudas de araucária serão distribuídas de forma gratuita, na capital do Estado, para incentivar o plantio e a preservação da espécie.