Engenheiros agrônomos, técnicos, autoridades e produtores de maçã da região, estiveram reunidos na última semana, para uma reunião técnica realizada no Sindicato Rural de Palmas, sul do Paraná. No encontro, foi discutida a incidência do Cancro Europeu (Neonectria galligena) nos pomares palmenses.

O evento contou com a participação de pesquisadores da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e representantes do Ministério da Agricultura, que expuseram aos presentes, a situação em que se encontra a cultura da maçã, bem como, reforçar as orientações para manter a sanidade das macieiras.

PauloMarques
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Paulo Marques – Engenheiro Agrônomo

Segundo pesquisa da Adapar, sob a coordenação do engenheiro agrônomo, Paulo Marques, entre os anos de 2012 e 2013, a cultura da maçã movimentou mais de R$ 57,9 milhões, com a plantação de 1,8 mil hectares no Paraná e uma produção superior a 51 mil toneladas. Somente em Palmas, em 2013, foram produzidas mais de 12 mil toneladas, em 450 hectares.

Dentro dessa pesquisa, foram fiscalizadas 44 unidades de produção (UPs) de maçã e pêra em 10 municípios do Estado. Nessas áreas, foram inspecionados 54 talhões, de onde foram coletadas 40 amostras que foram enviadas para análise. Em 11 talhões foram constatados a presença do praga do Cancro europeu, sendo que essas áreas pertencem à 9 UPs localizadas em Palmas. O levantamento indicou a presença do doença somente no município palmense, com uma disseminação bastante expressiva comparada ao ano passado.

Segundo Paulo Marques, o Cancro europeu é um fungo bastante agressivo, que ataca o sistema lenhoso da planta. Explicou que a doença foi introduzida no Brasil, através de mudas infectadas e que além do caule, ataca também os frutos, causando podridão nos exemplares armazenados. Destacou que o objetivo da reunião, foi discutir e trocar experiências com os produtores, a fim de se aperfeiçoar o manejo preconizado.

Outro ponto levantado por Marques, diz respeito ao embargo comercial da cultura. Países como Estados Unidos, Chile, Canadá, Nova Zelândia e outros estão proibidos de se importar materiais de propagação de maçã. Caso não seja feito o controle da doença, o Brasil também pode entrar nessa lista. Enfatizou que os produtores tenham cautela na aquisição de mudas, que é a principal forma de infestação do Cancro europeu.

 

Ivanir Dalanhol - Presidente da Frutipar
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Ivanir Dalanhol – Presidente da Frutipar

De acordo com o presidente da Frutipar (Associação dos Fruticultores do Paraná), Ivanir Dalanhol, a situação do município ainda não é preocupante, desde que os produtores adotem as medidas de controle da doença. Dos 450 hectares palmenses, destinados à cultura da maçã, cerca de trinta sofrem com a incidência do Cancro europeu. “No restante estão todos controlados, têm muitas áreas que não tem nada. Então, não é algo que está dizimando os pomares, ao contrário, por exemplo, de Vacaria (RS), em que 60, 70% da área sofre com um ataque muito forte do Cancro europeu.”, considerou.