Foi realizada na última semana, a I Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Palmas, sul do Paraná, com o lema “Comida de verdade, no campo e na cidade”. Participaram do evento, autoridades, comunidade acadêmica, agricultores familiares, Conselho Municipal de Segurança Alimentar e comunidade em geral.

Durante as explanações, foram apresentados uma série de dados referentes à alimentação no Brasil, como o uso de agrotóxicos, o consumo de alimentos industrializados e a obesidade infantil. A Conferência tem por objetivo construir compromissos para efetivar o direito humano à alimentação adequada e saudável e promover a soberania alimentar por meio da implementação da Política e do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) nas esferas de governo e com a participação da sociedade.

Após as exposições, grupos foram montados, de onde foram elaboradas propostas como a desburocratização na obtenção de selos de certificação por parte dos pequenos produtores, programas de conscientização no uso de agrotóxicos, entre outros. As propostas de Palmas, serão encaminhadas para serem anexadas para discussão na Conferência Estadual e, posteriormente, na Conferência Nacional de Segurança Alimentar.

A nutricionista Graciela Gregolin, palestrante na Conferência municipal, destacou que a realização do evento é um pontapé inicial para a conscientização de toda a comunidade sobre as responsabilidades de cada indivíduo na alimentação saudável. Enfatizou que o agricultor familiar tem um papel fundamental sobre a temática, pois além da produção de alimentos saudáveis, com o cultivo sustentável, sem o uso de agroquímicos, há também o lado social, no uso da mão de obra familiar, mantendo também os jovens no campo.

Outro assunto abordado na palestra, a transgenia, ainda gera muita discussão nos meios políticos. Sobre o tema, Gregolin ressalta que os estudos realizados não comprovam a eficiência e nem a irregularidade dos transgênicos. “Não existem evidências cientificas que provem o quanto eles são saudáveis, ou não, para nós. Mas o que a gente avalia é, principalmente, a autonomia dos produtores.”, avaliou, destacando também a autonomia dos produtores na busca por utilizar sementes crioulas.

A questão da industrialização foi outro ponto debatido na Conferência. Conforme Gregolin, o Brasil passou de um país que enfrentava a desnutrição e passa a ter que trabalhar contra a obesidade, muito em decorrência da falta de atenção das pessoas, de todas as faixas etárias, sobre a alimentação. “A população está deixando de comer alimentos in natura, as pessoas têm menos tempo de preparar seu alimento, menos tempo de se cuidar e isso está relacionado ao nosso padrão de vida, que é o que nós precisamos reavaliar.”, apontou.

Representando o núcleo regional da Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento), o engenheiro agrônomo Ilário João Caglioni, destacou a importância de órgãos como a Emater, na assistência técnica aos produtores, na produção de alimentos de qualidade e, sobretudo, saudáveis.

Conforme ele, uma das grandes preocupações da Emater, é a sucessão familiar, pois a falta de perspectivas positivas, fazem os jovens saírem do campo, buscando melhores condições na cidade. Assim, com a falta de mão de obra no meio rural, torna-se mais difícil o manejo de culturas sem o uso de agroquímicos.

Dessa forma, a Emater desenvolve programas direcionados para a conscientização no uso de agrotóxicos. “O que está fixado no agricultor é: “Eu preciso usar agrotóxico!”, e nós precisamos mudar isso. É um trabalho difícil, o Estado sozinho não consegue. Quem vende, oferece um monte de alternativas, álias, algumas propagandas que são veiculadas, mostram pragas que nem existem na região, mas a propaganda está saindo. Então, a primeira coisa que o produtor deve fazer é conhecer, é ser capacitado para discutir com o vendedor, com o seu técnico, sobre como ele deve agir.”, orientou.