Mesmo com o recuo do Governo do Paraná ao retirar o “pacotaço”, os professores e funcionários das escolas públicas do Estado continuam em greve e deverão permanecer acampados em frente à Assembleia Legislativa até a próxima semana. Segundo o Sindicato dos Professores de Escolas Públicas do Paraná (APP-Sindicato), a retirada das propostas é apenas uma das reivindicações. Mais de 100 mil profissionais aderiram ao movimento.

De acordo com o presidente do sindicato, Hermes Leão, os professores e funcionários não saem da greve sem o pagamento imediato dos salários em atraso (PSS, 1/3 de férias, auxílio alimentação e conveniadas). A categoria pede também a retomada das negociações sobre os temas educacionais e a organização escolar.

O movimento dos funcionários da educação mobilizou também servidores de outras áreas, como saúde e agentes penitenciários, que também cruzaram os braços, mas agora, devem suspender as paralisações.

“Absurda e violenta”

Em pronunciamento, logo após retirada dos projetos, o governador Beto Richa (PSDB), classificou a manifestação dos servidores da educação como “absurda e violenta”. Por meio de nota, publicada no fim da tarde de ontem (12) no site do governo, Richa afirmou que o tumulto foi provocado por “um grupo de baderneiros infiltrado no movimento dos professores”.

Segundo o governador, os projetos foram retirados para serem revistos e “para preservar a segurança e a integridade física de deputados e servidores públicos”. O governador reiterou que não aceitará a “intimidação, o constrangimento e as ameaças que foram dirigidas a servidores públicos e deputados estaduais”.

Por sua vez, a APP-Sindicato, através de nota publicada no site da entidade, rebateu as afirmações do governador do Estado, repudiando “com veemência as alegações e a falta de diálogo daquele que foi eleito para governar um Estado e não para tentar fazer dele um reinado. Em entrevista, o governador afirmou que eram apenas “baderneiros que invadiram a Assembleia Legislativa”. Eram, na verdade, milhares de servidores(as) em greve, que protestaram, mais uma vez, de maneira pacífica e ordeira em defesa de suas carreiras e salários. Em defesa de direitos historicamente conquistados com muitas lutas.”

A instituição salientou que o Executivo Estadual foi informado sobre a reinstalação da greve. Através de documento protocolado no Palácio Iguaçu, “a direção da APP-Sindicato apresentou a pauta de reivindicações da categoria, solicitando o estabelecimento de uma mesa de negociação entre governo e sindicato, o que não ocorreu.”

A direção do sindicato finalizou a nota reiterando que a greve continua “para exigir do governo o cumprimento das demais pautas da paralisação.”