Uma pesquisa realizada em 2016, pelo Instituto do Casal, revelou que a viuvez ocupa o segundo lugar no ranking dos principais medos das pessoas que são casadas ou têm um relacionamento estável. Sendo que, o maior desafio é superar a perda do suporte afetivo e quebra da unidade, que já não existe mais.

(Imagem Ilustrativa)
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A psicóloga, terapeuta de casal e cofundadora do Instituto do Casal, Denise Miranda de Figueiredo, destaca que a viuvez representa perdas, que podem ser de um grande amor, de um bom amigo, do suporte financeiro, de um pai ou de uma mãe, de um confidente, enfim, da pessoa que foi escolhida para compartilhar a vida. “Isso leva ao sofrimento, ao luto e a emoções ligadas ao distanciamento e à sensação de separação. Além disso, ficar viúvo (a) representa, de certa forma, perder parte de si mesmo, daí os sentimentos de solidão e vazio, que são comuns em quem passa por isso. Mas, é justamente esse processo de lidar com a perda que dá a sensação de ser capaz de recomeçar ou de continuar a viver”, comenta a psicóloga.

Experiências difíceis são enfrentadas tanto por quem passa pela viuvez de forma precoce, ainda na juventude, como quem passa pela viuvez mais tardia. Para a psicóloga Marina Simas de Lima, a viuvez que atinge pessoas mais jovens, com filhos ainda pequenos, pode ser muito desafiadora. “Quem fica vai precisar lidar com várias situações ao mesmo tempo: a perda do (a) parceiro (a), a criação dos filhos, o sustento da casa, a vida profissional e a própria saúde física e mental para lidar com tudo isso. Por outro lado, quem fica viúvo mais tarde tem mais tempo para se recuperar, mas pode se sentir muito mais sozinho e fragilizado, já que em muitos casos os filhos já saíram de casa e vivem suas próprias vidas”.

Marina, explica também que, em uma idade mais avançada nem sempre é fácil investir em um novo relacionamento, por exemplo. Por isso, o isolamento social é mais comum e acarreta em uma piora do estado de saúde em pessoas que enviúvam mais tarde. A terapeuta explica que, independentemente da idade em que se ficou viúvo (a), o luto precisa ser vivenciado para ressignificar a vida. “Viver o luto é importante para reconstruir a vida sem o (a) parceiro (a). Não há um período pré-definido. Cada pessoa terá seu próprio tempo para gerenciar suas emoções e aceitar a perda. É um tempo para se reorganizar e se reestruturar, para chorar, para ficar triste, para recordar e para dar um novo significado a essa nova fase da vida.”

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“Gosto muito de pensar que perdemos coisas e não pessoas. As pessoas partem, mas as memórias ficam. A morte faz parte da vida, é inevitável. A viuvez é um convite a repensarmos nossas escolhas, para criarmos novas realidades e testarmos nossa capacidade de resiliência. As lembranças devem sim permanecer de forma saudável para honrar a pessoa que se foi, mas quem fica precisa continuar. Não é um processo fácil, por isso a psicoterapia é muito importante para ajudar a superar esse tipo de acontecimento”, diz Denise.

As psicólogas finalizam, reiterando a importância de dar valor a cada momento da vida. “A verdade é que ninguém está preparado para a morte e em geral o assunto ainda é um tabu. Cada um vai lidar de uma maneira particular com a viuvez. O importante é viver cada momento de nossas vidas como se fossem os últimos, isso ajuda a superar a perda, pois há menos chance de arrependimentos ou culpa. Sabe aquela frase: não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje? Precisamos pensar mais em ser do que ter, precisamos dedicar mais tempo ao nosso (a) parceiro (a), cultivar os sentimentos e viver bons momentos ao lado de quem amamos, isso é o que realmente importa.”