O gesto de beijar o anel de um Bispo sempre esteve presente, antes mais do que atualmente, à tradição religiosa dos católicos, ao costume de respeito à Igreja. A explicação litúrgica orienta que a atitude não direciona a honra ao Bispo, mas sim, Aquele a quem ele representa, do Qual procede a autoridade e o seu poder espiritual. “O anel, insígnia da fidelidade e da união nupcial com a Igreja, sua esposa, deve o Bispo usá-lo sempre”, como menciona o Cerimonial dos Bispos, n. 58.

As citações são fundamentais para relatar uma história envolvendo uma mulher desesperada, sua fé e o risco de morte de seu filho. O caso aconteceu Palmas, sul do Paraná, há 49 anos, tempo que vivia e pastoreava a Igreja de toda esta Diocese, o seu primeiro Bispo, Dom Carlos Eduardo de Sabóia Bandeira de Mello. Nesta semana, ao escrever e publicar no RBJ uma notícia de programação, que destaca a vida e trajetória de Dom Carlos, por um estabelecimento educacional de Palmas, que leva o nome do Bispo, recebi via rede social a seguinte mensagem: Dom Carlos merece ser lembrado. Ele foi importante pra mim também.

Curioso pela manifestação espontânea do leitor, prossegui com a troca de mensagens. Não era uma simples consideração para com o Bispo, que em1 º de agosto de 1936, foi nomeado administrador apostólico da Prelazia do Senhor Bom Jesus da Coluna dos Campos de Palmas, pelo Papa Pio XI e aqui permaneceu até seu falecimento em 6 de fevereiro de 1969.

Tratava-se de um testemunho de Esperança, Fé e Vida e a forte relação com um anel episcopal, o Anel de Dom Carlos! Perguntei-lhe se tal relato podia ser compartilhado. A resposta foi prontamente positiva. Há quase cinco décadas, uma mãe desesperada carregava no colo um filho, recém-nascido, e como atestaram os médicos, sem qualquer chance de vida. Ao levar o filho para morrer em casa encontrou em meio a rua, o Bispo. Desesperada contou-lhe a situação e compartilhou sua angústia.

“Eu era recém-nascido e estava muito doente. O médico disse pra minha mãe me levar pra morrer em casa. Aí ela desesperada indo pra casa, encontrou Dom Carlos na rua. Ele a atendeu com carinho e colocou o anel em meus lábios dizendo que era pra ela fazer uma novena pra Nossa Senhora Aparecida que eu viveria. Foi o que ocorreu. Por isso, tenho um carinho especial por Dom Carlos” conta o homem, com 49 anos, pai de família com três filhos e com presença firme na caminhada da Igreja.

Ao contar que iria produzir um texto com seu testemunho antecipei-lhe o título do texto: O ANEL DE DOM CARLOS. A Fé de uma mãe salvou a vida do filho! A resposta veio em seguida: “Me emocionou agora”, disse o homem, recordando de sua mãe falecida há 26 anos. “Ela me falou várias vezes desse acontecimento. Meu pai e minha mãe viveram por mim, deram a vida por mim, e Dom Carlos teve participação decisiva na minha vida”, recordou o testemunho da Fé e da Esperança. Ao finalizar a conversa disse-me: “Com certeza, a Fé se vive de forma concreta”.