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“Jesus é o único presente. Vamos celebrá-lo!” enfatiza o Bispo

“Vamos celebrar o Natal de 2018 fazendo a diferença, mudando o foco de nossas atenções. Vamos ao que é central. Celebremos o Natal com verdadeira fé”. A conclamação é do Bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão ao refletir sobre um dos momentos marcantes para a Vida do Cristão.

Na mensagem semanal, em que deseja Feliz Natal e Ano Novo aos leitores, Dom Edgar Xavier Ertl, destaca as dimensões religiosa e cultural da data de 25 de Dezembro. Na memória de sua infância em Nova Prata do Iguaçu, Sudoeste do Paraná, recorda os ritos infantis para aguardar os presentes surpresas advindos do Menino Jesus.

Dom Edgar pontua que a mobilização pelos presentes podem ter justificativa nos personagens integrantes da cena do Natal, os Reis Magos que foram levar presentes ao Menino; em São Nicolau, o Bispo Católico que percorreu diversas regiões da Europa presenteando as crianças pobres e, por fim, o surgimento do Papai Noel, na metade do século XX.

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Coroa do Advento!

Natal e os gestos de gratuidade

Tempo de Natal é um tempo de dar e receber presentes. É um costume, uma tradição que se tornou uma imposição. Somos bombardeados pelas propagandas e quase que obrigados a ir às compras, às lojas e supermercados para comprarmos de tudo… E por isso, facilmente esta festa solene pode tornar-se expressão de hipocrisia e consumismo irracional. Por sua natureza, o dar um presente a alguém significa estima, carinho, amor. Assim o esposo que presenteia a esposa por ocasião de seu aniversário, e vice-versa; os filhos que dão presentes no dia das mães, no dia dos pais; presentes entre amigos por ocasião de aniversário, significando a estima e o valor daquela amizade… Mas, por ocasião do Natal, todo o mundo sente a pressão e o costume de dar presentes a familiares, amigos, a funcionários e colaboradores.

Por que todo este verdadeiro frenesi para comprar e dar presentes, por ocasião do Natal? Sem entrar em grandes análises, poderíamos dizer que o primeiro motivo é o fato dos Magos que vinham do Oriente, para adorar o Rei dos Judeus, quando o encontraram, lhe ofereceram seus presentes: ouro, incenso e mirra. No cristianismo, além de outras tradições, temos a história de São Nicolau, que foi bispo na região da Turquia. No Natal ele percorria a região e deixava presentes às crianças pobres. Ainda hoje, em muitas regiões da Europa, o dia 06 de dezembro, festa de São Nicolau, é o dia dos presentes natalinos. E longinquamente São Nicolau inspirou o surgimento da figura do Papai Noel. Até metade do século XX, não se conhecia a figura do Papai Noel.

É uma figura promovida pelo consumismo e pela mídia e que, olimpicamente, desvia o sentido cristão do Natal. Na minha infância, em Nova Prata do Iguaçu, meus pais recomendavam que à noite, véspera do Natal, que colocássemos sobre a mesa da cozinha, ou da sala, um pratinho, também poderia ser fora, na varanda da casa, que o Menino Jesus passaria e deixaria um presente para cada um. Éramos em cinco crianças! E com que ansiedade e alegria, na manhã de Natal, abríamos a porta do quarto para ver o presente que o Menino Jesus tinha deixado, naquele singelo prato! Dar e receber presentes, tanto no tempo de Natal, como em qualquer outro momento, certamente é algo muito bom, quando está revestido de sinceridade. Promove a amizade, o amor, a alegria, embeleza e suaviza a convivência.

Uma característica que deveria estar sempre presente nesse gesto é a gratuidade. Quando o dar presente espera retorno, já está inquinado de certo egoísmo. Mas o maior motivo de dar presentes no tempo de Natal é o grande, o maior presente que Deus Pai nos dá, enviando seu Filho para tirar do mundo o mal, a injustiça, a tristeza, o desespero. No texto que narra o nascimento de Jesus, os anjos dizem aos pastores: “Anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11). O aniversariante que celebramos no Natal, é o grande presente que deveria motivar todos os nossos gestos de generosidade e gratuidade para com as pessoas que nos rodeiam.

Caro leitor, vamos celebrar o Natal de 2018 fazendo a diferença, mudando o foco de nossas atenções. Vamos ao que é central. Celebremos o Natal com verdadeira fé. Quem sabe ressignificando o próprio conceito que temos desta Solenidade. Celebramos o nascimento e a manifestação de Jesus Cristo, luz do mundo, que vem para iluminar as nossas trevas, as escuridões vividas em diversas dimensões de nossa história. O Filho de Deus, o Esperado, “na humildade da natureza humana” e na pobreza da gruta de Belém, nos traz o dom da vida nova e divina. Abramos todo o nosso ser para acolher Deus que nos surpreende pela sua pequenez e fragilidade. Eis o que significa Natal. O que passa disso, é acessório, está em segundo plano, inclusive os presentes…! Jesus é o único presente. Vamos celebrá-lo!

Os nossos leitores, desejo-lhes um FELIZ E SANTO NATAL DE JESUS CRISTO!

Dom Edgar Ertl