“Vivemos hoje os sobressaltos de ontem na certeza que amanhã virão outros mais espetaculares e sensacionais sobressaltos. O Brasil vive um momento de pirotecnia política, que impossibilita qualquer análise sobre seu o futuro, que não deve ser de tranquilidade. É o início de uma era de muitos tumultos”.

As considerações foram pronunciadas na Rádio Club AM, por Dr. Expedito Stefanello Lago (OAB 4580/PR), um dos mais experientes e renomados advogados de  Palmas, sul do Paraná que na trajetória de 47 anos na profissão angaria reconhecimento local, estadual e nacional.

Na entrevista ao repórter Alencar Pereira para o quadro O Povo Fala, do Programa Dinâmica 1050, comentou sobre a atual situação política, econômica e institucional do Brasil.

ESCÂNDALOS

Stefanello Lago apontou que serão necessárias várias outras operações para abrir as caixas pretas da corrupção, para além da Lava Jato. Apontou fatos envolvendo investigações no Banco do Brasil, Correios, Petrobras, BNDES e DNIT, Itaipu. “Por isso os políticos estão preocupados em fechar as porteiras, pois desta forma não sobrará ninguém para fechá-las, todo mundo está envolvido”, disse o advogado.

REFORMAS

Os problemas do país não serão resolvidos com o tipo de reformas que estão sendo propostas, que considerou como paliativas “perfumarias”. Sugere que sejam feitas reformas sólidas e estruturais nas áreas: trabalhista, política, previdenciária. “O PIB não paga as despesas abertas pela constituição de 1988”, pontua.

PARTIDOS POLÍTICOS

Defendeu que sejam poucos e  sólidos partidos, ao contrário do que ocorre atualmente com mais de 30 organizações, muitas das quais,  servem apenas como balcão de negócios de uns e outros. Devem ser partidos pautados por ideias, ideologias, pensamentos, doutrinas e que as pessoas associadas estejam atreladas a tais características.

ECONOMIA

Em sua análise, não é possível haver três níveis de governo, cada qual mais ávido por arrecadar tributos da população. O Estado precisa ser reestruturado e que seus governantes mantenham um diálogo com a sociedade para saber quanto está disposta em contribuir. “Hoje temos os que estão em cima da carroça e os que puxam ou empurram a carroça. O cidadão e as empresas estão cansados de pagar”.

O país precisa se organizar para produzir mais com menor custo e, com isso, competir melhor no mercado internacional. O Brasil está se tornando inviável, pois produz pouco, ao mesmo tempo, que permite que o mercado nacional seja preenchido com produtos importados a um custo menor. “Na luta pelo poder e pelo dinheiro, que é do povo, os governantes omitem-se do diálogo com a sociedade para melhorar as condições econômicas”. Na sua avaliação, o pior do drama ainda pode ocorrer, na medida em que o mercado não mais absorver os títulos da dívida pública.

FUTURO

O advogado não acredita em punição aos envolvidos na prática de corrupção, mas que todos irão escapar de qualquer penalização. “Vão achar uma porta bem larga para os ladrões. A nação vai se sentir decepcionada. Ainda estamos longe do fim do poço”,  disse Lago.