Cerca de 5 mil trabalhadoras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram uma ação relâmpago na madrugada desta terça-feira (8) nas dependências da empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, região centro do Paraná. Vindas de todo o estado, as mulheres, durante a madrugada, destruíram estufas e bandejas de mudas de eucalipto em uma ação que, em si, não demorou mais de 20 minutos. Ação encerrada, as agricultoras voltaram para seus assentamentos e acampamentos.

A mobilização que tem como lema “Mulheres na luta em defesa da natureza e alimentação saudável, contra o agronegócio”, faz parte Jornada Nacional das Mulheres, e teve como objetivo chamar a atenção da sociedade do modelo destrutivo do agronegócio para o meio ambiente, como por exemplo: a expansão da monocultura de pinus e eucalipto, que transforma as terras em um deserto verde improdutivo do ponto de vista da soberania alimentar.

O MST critica os ‘desertos verdes’ da monocultura de pinus e eucalipto, que destrói a biodiversidade do território, deteriora o solo, secam os rios, ocupando grandes extensões de terra, que poderiam ser utilizadas para produzir variedade de alimentos saudáveis por família a espera da reforma agrária.

As trabalhadoras também denunciam a apropriação ilegal de terras públicas utilizadas pela Araupel. No final do ano passado a justiça federal anulou as matrículas de nove imóveis que estão sob domínio da empresa, assim, segundo o Incra, a decisão mantém a Araupel na área apenas como usuária, mediante concessão de direito real de uso, isso significa que a empresa está fazendo o papel de inquilina do imóvel e que, portanto, deve pagar pelo uso da terra pública.

Nesse contexto, as mulheres camponesas exigem a desapropriação da fazenda de cerca de 35 mil hectares para fins de Reforma Agrária. Elas também cobram que as cerca de 10 mil famílias acampadas no Paraná sejam assentadas no estado.

Fotos: Divulgação BPFron