Em reunião na tarde desta quarta-feira (21) na prefeitura de Marmeleiro, o grupo intitulado “Sudoeste sem Pedágio” mais uma vez debateu propostas a serem apresentadas ao governo do Estado para evitar a privatização do chamado ‘Corredor Sudoeste”, trecho de 285 Km entre Palmas e Realeza, abrangendo as rodovias PRs 280, 158, 180, 483 e 182.

O encontro foi coordenado pela comissão formada por lideranças dos setores de transporte, empresarial e político da região. Esteve presente o engenheiro da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), João Artur Mohr, que apresentou um estudo detalhado sobre pedágio. Mohr fez um comparativo entre os valores cobrados no Paraná com outros estados, como Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.  Segundo ele, a proposta apresentada pelo Governo do Estado nas recentes audiências públicas, em Pato Branco e Francisco Beltrão, não condiz com a realidade do Sudoeste, por isso a bandeira empunhada pelas lideranças locais, contrárias, é válida.

João Artur Mohr, engenheiro da Fiep, apresentou dados do pedágio no Paraná e outros estados. Foto: Evandro Artuzi/RBJ
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João Artur Mohr, engenheiro da Fiep, apresentou dados do pedágio no Paraná e outros estados. Foto: Evandro Artuzi/RBJ

“O momento é exatamente esse, de debate com a sociedade civil pra que ela diga a gente precisa de uma estrada, o setor produtivo como um todo, especialmente o setor de transporte que é muito influenciado pelo pedágio tem apresentar uma proposta viável para o governo. Por exemplo, olha o teto máximo teria que ser de x reais, daí o governo vê o que é possível fazer de obras, em termos de assistência médica, de guincho, de fiscalização, terceiras faixas, de duplicações, de contornos em cidades, acho que isso é que tem que ser discutido amplamente com a sociedade, por que se aceitar o que eles (governo) querem depois ninguém mais consegue mudar”, declarou.

Luiz Bandeira, prefeito de Marmeleiro e presidente da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná) concorda que o projeto deve ser melhor discutido e adianta que o momento para pedagiar rodovias não é nada propício. “A gente sabe que a necessidade de arrumar as estradas é muito grande, que o pessoal precisa de estradas melhores, precisa de mais segurança, mais conforto, nós estamos aí com nível de acidentes muito grande em nossas estradas. São estradas de 40 anos sem qualquer melhoria, apenas tapa buracos, então precisamos uma melhoria urgente, mas essa melhoria ai a custo da população paga (…..) População está um pouco receosa nesse sentido aí, então nós esperamos que o governo ache uma outra solução no momento para que se faça isso, sem prejudicar ninguém, ”, concluiu. Quem também se mantém contrária a privatização é a classe empresarial de Marmeleiro.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial (Acimar), Paulo Pilatti, participou da reunião e reafirmou o descontentamento com o projeto, principalmente quando se trata da construção de um contorno viário, que desviaria o tráfego da área central da cidade. Como dito por empresários em outras reuniões, isso acarretaria na redução do movimento na cidade, podendo até mesmo levar empresas a falência.

Comissão "Sudoeste sem Pedágio" é formada por lideranças de vários setores. Foto: Evandro Artuzi/RBJ
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Comissão “Sudoeste sem Pedágio” é formada por lideranças de vários setores. Foto: Evandro Artuzi/RBJ

Para Gilberto Gomes da Silva, diretor do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos do Sudoeste) a reunião foi extremamente positiva, pois o engenheiro João Artur Mohr conseguiu passar a todos a dimensão do impacto que o projeto traria para a região Sudoeste. Também afirma que esse encontro fortaleceu ainda mais o movimento “Sudoeste sem Pedágio”, que na próxima semana fará mais uma reunião para fundação de uma associação, que terá mais respaldo para discutir o tema com o governo.

Gilberto também foi enfático em afirmar que o movimento não é de cunho político, embora tenha buscado o apoio de deputados e demais lideranças políticas que representam a região. “Esse nosso movimento, pra deixar bem claro, é apartidário. Já falamos para o pessoal que não vai servir de trampolim político para alguém e também não queremos que sirva de palanque eleitoral para algum político. Lógico, precisamos do auxílio e da força de todos os políticos, mas o intuito maior desse nosso movimento é a questão econômica da região Sudoeste”, finalizou.