Desde a manhã de ontem (23), caminhoneiros bloquearam o trânsito de caminhões na SC-155, no perímetro urbano de Abelardo Luz, oeste de Santa Catarina, em apoio ao movimento que já se estende por sete estados brasileiros.

Um número significativo de caminhões que transportam leite estão parados. Como forma de protesto também pelo baixo preço pago pelo produto, a partir das 16h, no pátio do Posto Colpani, acontecerá a distribuição de leite para a população em geral. De acordo com um dos organizadores Fabricio Stefani, em entrevista à Rádio Liberdade FM, “é uma doação espontânea dos produtores de leite. Para que o produto não seja desperdiçado, então será distribuído para a população”.

A Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (FAESC), através de seu presidente, José Zeferino Pedrozo, fez um apelo aos caminhoneiros para que liberem o trânsito de produtos do campo, como leite, aves, suínos, grãos, frutas e hortigranjeiros, além de insumos, repassados pelas agroindústrias aos produtores rurais.

Na avaliação de Pedrozo, razões econômicas que motivaram as manifestações são de extrema importância, mas alertou que as famílias rurais estão sendo profundamente prejudicadas e muitas terão prejuízos irrecuperáveis.

Segundo dados da FAESC, somente na região oeste do Estado, circulam, diariamente, 6 milhões de litros de leite, 3 milhões de frangos e 20 mil suínos, que formam a base da economia regional. Em decorrência da paralisação, nesta terça-feira, cinco frigoríficos (Unidades da Aurora em Abelardo Luz, São Miguel do Oeste, Xaxim e Joaçaba e a BRF de Capinzal) suspenderam suas atividades. Até amanhã (25), praticamente todo o parque agroindustrial do oeste catarinense vai parar por falta de insumos.

A FAESC reforça que entidades representativas do setor primário apóiam formalmente os grevistas, mas, “por suprema incoerência ou insensibilidade”, os produtores rurais são diretamente os mais prejudicados.

Outra preocupação dos agricultores e autoridades competentes é o risco de a falta de ração no campo provoque canibalismo entre os plantéis e crie problemas sanitários que afetem a privilegiada condição sanitária de Santa Catarina (área livre de aftosa sem vacinação).

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