Carta do Conselho Episcopal Regional Sul II – Paraná aos Arbe/bispos, Coordenadores Diocesanos da Ação Evangelizadora, aos Presbíteros párocos, vigários reitores de seminários e outros, aos Coordenadores (as) e Assessores (as) de Pastorais, Movimentos e Organismos, aos fiéis leigos.

Curitiba, 29 de maio de 2015

Objeto: Mobilização das lideranças da Igreja no Paraná contra a adoção da Ideologia de gênero

Recentemente, após várias votações dos parlamentares brasileiros e contínuos protestos por parte da Igreja, de ativistas pró-família e cidadãos brasileiros de todos os estados, foram excluídos os pontos que introduziam a chamada “identidade de gênero ou ideologia de gênero” no Plano Nacional da Educação (PNE).
No entanto, precisamos nos mobilizar para que o mesmo processo seja feito em âmbito estadual e municipal.
Está sendo elaborado pela Secretaria do Estado da Educação o Plano Estadual 2015-2025.
Em âmbito municipal está sendo elaborado pela Secretaria da Educação, o Plano Municipal de Educação, que deverá ser votado pela Câmara dos Vereadores, até dia 24 de junho.
Diante disso, precisamos, com urgência, atuando a dimensão profética de nossa fé, organizar-nos e cada pessoa que tem contato com pessoas da Secretaria da Educação e também com Deputados e Vereadores instruí-los sobre o perigo da ideologia de gênero, a fim de que não sejam incluídos os pontos que introduzem essa ideologia nos Planos de Educação.

A ideologia do gênero surge como uma antropologia alternativa, quer à judaico-cristã, quer à das culturas tradicionais não ocidentais.

Alguns pontos sobre a Identidade de Gênero ou Ideologia de Gênero
1. Essa ideologia contrasta frontalmente com a antropologia cristão por opor-se à visão bíblica e cristã da pessoa e da sexualidade humana.
2. A ideologia extingue o conceito de sexo, de corpo sexuado, e no lugar desses conceitos adota a palavra “gênero”. A fé cristã nos ensina que a dimensão sexuada, a masculinidade ou feminilidade, é constitutiva da pessoa, é o seu modo de ser, não um simples atributo.
3. Segundo essa ideologia a criança nasce sem um sexo definido e, por isso, não deve ser considerada do sexo masculino ou sexo feminino. O aluno menino ou menina, é chamado apenas de criança, porque cada um deve decidir quando crescer se será homem ou mulher. A fé cristã afirma que a diferenciação sexual correspondente ao desígnio divino sobre a criação, em toda a sua beleza e plenitude: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1,27).
4. Com a expressão gênero, a ideologia quer promover a igualdade do homem e da mulher. Afirmam que o ser masculino ou feminino não passa de uma construção mental, mais ou menos interessada e artificial, que, agora, importaria desconstruir. Por conseguinte, rejeitam tudo o que tenha a ver com os dados biológicos para se fixarem na dimensão cultural, entendida como mentalidade pessoal e social. E, por associação de ideias, passou-se a rejeitar a validade de tudo o que tenha a ver com os tradicionais dados normativos da natureza a respeito da sexualidade (heterossexualidade, união monogâmica, limite ético aos conhecimentos técnicos ligados às fontes da vida, respeito pela vida intrauterina, pudor ou reserva de intimidade, etc.).
5. Pretende descontruir a matriz heterossexual da sociedade, passando a ser apenas um modelo entre vários de família, e sustentar a adoção e a procriação artificial de filhos por pessoas do mesmo sexo ou sós tornando o filho um objeto de afirmação pessoal, como “direito” a parentalidade, redefinição do casamento e mudança de sexo oficialmente reconhecida pela lei.
6. No âmbito do ensino, pretende influenciar na orientação dos programas escolares, em particular nos de educação sexual, apresentando o gênero como dado científico e indiscutível, não deixando opção para os pais de escolherem quais conteúdos de educação sexual acham melhor serem tratados nas escolas.
Portanto: A ideologia de gênero nega que a diferença sexual inscrita no corpo possa ser identificativa da pessoa; recusa a complementaridade natural entre os sexos; dissocia a sexualidade da procriação; sobrepõe a filiação intencional à biológica; pretende desconstruir a matriz heterossexual da sociedade (a família assente na união entre um homem e uma mulher deixa de ser o modelo de referência e passa a ser um entre vários).
(Fonte: Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa a propósito da ideologia do gênero)

Reunião
Além dessa articulação capilar em todos os municípios paranaenses, é de se esperar que aconteçam reuniões em vários âmbitos com pessoas que atuam nas Secretarias de Educação e com Vereadores para um diálogo sobre a questão.

Fraternalmente,

Pe. Mário Spaki
Secretário Executivo da
CNBB Regional Sul 2

Dom Antônio Braz Benevente
Bispo de Jacarezinho e referencial da Pastoral da Educação no Regional Sul 2

Dom Francisco Carlos Bach
Bispo de São José dos Pinhais e
Secretário da CNBB Regional Sul 2

Dom Geremias Steinmetz
Bispo de Paranavaí e Vice-Presidente
do Regional Sul 2

Dom Mauro Aparecido dos Santos
Arcebispo de Cascavel e
Presidente da CNBB Regional Sul 2

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