O palmense Delmar Rodrigues, desaparecido desde o dia 28 de abril foi condenado pelo Tribunal do Júri de Joaçaba (SC), há quatorze anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio duplamente qualificado. Juntamente com Aguinaldo José Richardt, Rodrigues é acusado pela morte de João Carlos Lasta, ocorrida no ano de 2007, em Água Doce (SC), na divisa com o município de Palmas, sul do Paraná.

Dr.Protásio
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Dr.Protásio Campos Neto

Conforme o promotor de Justiça da Comarca de Joaçaba, Dr. Protásio Campos Neto, em entrevista exclusiva ao RBJ, no julgamento realizado na última sexta-feira (07), a promotoria apresentou uma série de provas periféricas que provam a autoria de Rodrigues e Richardt sobre a morte de João Carlos. Salientou que pelo fato de Delmar não estar presente em plenário, ele deverá cumprir a pena em regime fechado. Por sua vez, Richardt, foi condenado a oito anos de prisão, mas poderá recorrer em liberdade.

Enfatizou que logo após o julgamento, foi decretada a prisão preventiva de Delmar, que é considerado foragido da Justiça. “Ele é o principal autor desse homicídio e nós não acreditamos em sequestro, em morte. Nós temos a convicção plena de que ele está foragido.”, destacou, informando que constam em meio ao processo, que Delmar possuía documentos falsos e que já havia se manifestado que, caso fosse julgado, iria fugir para o Estado do Mato Grosso. “Mais cedo ou mais tarde, a Justiça vai colocar as mãos nele”, declarou Campos Neto.

Ouça:

 

O caso

Consta no processo, de que a companheira de Rodrigues era proprietária de uma área de terra em Palmas, imóvel esse que seria arrendado à João Carlos Lasta. Entretanto, a propriedade já possuía um outro arrendatário com direito à preferência, o que gerou um processo da vítima contra Rodrigues. Na tentativa de chegar à um acordo, Delmar emprestou, sem qualquer custo, um trator para que João Lasta trabalhasse no preparo de uma área de terra na localidade de Herciliópolis, interior de Água Doce.

Porém, na ação movida pela vítima, era exigida uma indenização pelas despesas no processo de arrendamento, além da devolução do adiantamento que ele teria pago à Rodrigues. Com a primeira audiência marcada para setembro de 2007, em meio à discussões, Lasta sofreu ameaças de morte por parte de Delmar.

No dia 13 de setembro daquele ano, Delmar, decidido à resolver a situação, entrou em contato com Aguinaldo José Richardt, para que o auxiliasse na morte de João Carlos. Os dois se deslocaram até Água Doce, onde almoçaram e seguiram para o distrito de Herciliópolis, onde, por volta das 14h30, chegaram na fazenda onde a vítima residia.

Após uma breve conversa, os denunciados disseram que iriam conferir o total de horas trabalhadas com o trator que havia sido emprestado. Chegando no local, anotados os números, os três, a bordo de uma caminhonete da vítima, dirigiram-se para um local ermo, onde Delmar e Aguinaldo obrigaram a vítima a parar o veículo, efetuando diversos disparos contra ele.

Após a ação, os acusados tomaram outro automóvel e por meio de estradas vicinais seguiram de volta para Palmas, permanecendo escondidos por alguns dias. O corpo de João Carlos Lasta foi encontrado por vizinhos no final da tarde. As armas não foram localizadas. Com a decisão do Tribunal de Justiça catarinense a data do júri será designada pela Justiça da Comarca de Joaçaba.

Desaparecido

Denison Rodrigues (Reprodução/Facebook)
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Denison Rodrigues (Reprodução/Facebook)

Em meio à esse caso, Delmar Rodrigues e seu filho, Denison Rodrigues, seguem desaparecidos desde o mês de abril. Segundo informações levantadas pelo RBJ.com.br na época, Rodrigues, que residia na região de Guarapuava, teria negociado uma propriedade rural e estaria arrendando terras na região do Horizonte, nos Campos de Palmas.

Foto:Alencar Pereira/RBJ
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Foto:Alencar Pereira/RBJ

Na manhã do dia 28, ele recebeu uma ligação telefônica e quando se preparava para sair, à bordo de uma caminhonete Mitsubishi/L200, seu filho decidiu ir junto e desde então, não há qualquer informação sobre o paradeiro de ambos. No dia 29 de maio, o veículo foi localizado em meio à uma plantação de pinus, há alguns quilômetros do perímetro urbano de Palmas. Porém, sem qualquer vestígio de Delmar ou de seu filho.