O Encontro das Cooperativas do Núcleo Sudoeste do Paraná foi realizado, na noite desta quinta-feira (24), no Marabá Centro de Eventos, em Francisco Beltrão, com a presença de mais de 600 cooperativistas da região. Também prestigiaram o evento o prefeito de Francisco Beltrão, Antônio Cantelmo Neto, o presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), Guido Bresolin e representantes do Sebrae/PR.

A abertura foi feita pelo presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski, juntamente com o coordenador do Núcleo Sudoeste, Jacir Scalvi, com os presidentes do Sicoob Unicoob, Marino Delgado, e do Sicoob Vale, anfitrião do evento, João Manfroi. O presidente da Ocepar, João Paulo Kosloviski, comentou que a situação do agronegócio ainda é boa. o dólar em alta favorece as exportações de produtos, no entanto os agricultores devem sofrer na hora de adquirir os insumos, que também tem os preços balizados pela moeda americana.

“O cooperativismo está dando exemplo de que é possível superar a crise. É possível crescer, com profissionalismo, determinação e pés no chão, principalmente levando em consideração a dimensão do momento em que vivemos, como vem ocorrendo no nosso setor, que continua crescendo”, destacou o presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski, na abertura do Encontro das Cooperativas do Núcleo Sudoeste do Paraná, nesta quinta-feira (24/09), em Francisco Beltrão.

Preocupação – Koslovski demonstrou preocupação em relação ao atual cenário político e econômico brasileiro. “Infelizmente estamos vivendo um momento conjuntural muito preocupante em que há um atrito entre a parte executiva e o Congresso Nacional. Isso não é bom para ninguém, especialmente para nós que fazemos parte dessa sociedade e queremos que as coisas ocorram da melhor maneira possível. Vamos torcer para que os entendimentos que estão ocorrendo nesta semana propiciem condições melhores para que a gente tenha estabilidade necessária para continuar produzindo, gerando emprego, renda, promovendo o desenvolvimento das pessoas, sobretudo nas regiões onde nós atuamos”, afirmou. Ele também lembrou da alta do dólar que, ao mesmo tempo em que favorece as exportações, eleva os custos de produção para os agricultores. Lembrou ainda que o cooperativismo, com apoio do G7, grupo formado por sete entidades paranaenses, e da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) está se mobilizando junto ao executivo e legislativo, tanto em âmbito estadual como federal, para tentar reduzir os impactos do aumento dos tributos e contribuições que estão recaindo sobre o setor produtivo e a população.

Lição de casa – Mesmo diante do contexto nacional, Koslovski ressaltou que o cooperativismo paranaense está expandindo seus negócios. “No primeiro semestre deste ano, nós crescemos 7,5%. Alguns ramos do cooperativismo paranaense superaram 15% de crescimento. Isso significa que nós estamos fazendo o dever de casa. Estamos analisando o momento e tomando as medidas adequadas para que a gente possa dar um direcionamento seguro ao nosso setor”, sublinhou.

Planejamento – Ainda de acordo com ele, um dos motivos que levam o setor a obter resultados positivos é o investimento que as cooperativas estão fazendo no planejamento de suas atividades. “Eu digo que o cooperativismo do Paraná está fazendo a diferença porque mesmo num momento de crise nós estamos com o PRC 100, o planejamento estratégico do cooperativismo do Paraná para chegar ao faturamento de R$ 100 bilhões. Em que prazo? Isso vai ser determinado pelos planejamentos individuais que estão sendo feitos pelas cooperativas e que vão ser inseridas no contexto de um planejamento global no âmbito de todo o estado. Isso é fundamental porque nós estamos pregando o otimismo. Nós sabemos que esse prazo poderá ser de cinco, seis, sete, dez ou mais anos, dependendo do desempenho individual das cooperativas, que na somatória, vai resultar nos R$ 100 bilhões de faturamento. Hoje nós estamos com R$ 50,9 bilhões de faturamento.  A projeção para dezembro é de R$ 57 bilhões”, disse.

Capital humano – O presidente da Ocepar ressaltou ainda que há muitos desafios pela frente. “Mas o importante é que nós estamos investindo no capital humano. Esse ano, as cooperativas vão superar o número de 160 mil pessoas treinadas, com mais de 40 MBAs sendo realizados. Isso faz a diferença. Nós temos uma gestão mais profissionalizada e preparada exatamente para enfrentar esses momentos de crise. Dentro dessa linha que o cooperativismo tem contribuído para o desenvolvimento do Estado. Se hoje em 100 municípios do Estado do Paraná as maiores empresas são as cooperativas, isso se deve ao trabalho que os senhores estão fazendo, o investimento no seu pessoal, no seu cooperado, para que a gente realmente cresça de forma consistente e possa propiciar os resultados que aí estão”, complementou.

Palestras

A programação contemplou a apresentação das palestras “Perspectivas para o Brasil frente ao cenário político e econômico atual”, com o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Robson Gonçalves, e “Oportunidades e ameaças para o agronegócio”, ministrada pelo professor Eugênio Stefanelo, que disse durante sua falta que a situação econômica atual do país requer muita atenção dos agricultores e entidades ligadas ao agronegócio.

O Encontro das Cooperativas do Núcleo Sudoeste integra uma das ações do Paraná Cooperativo 100 (PRC 100), o planejamento estratégico do cooperativismo paranaense que visa elevar o faturamento do cooperativismo paranaense em R$ 100 bilhões nos próximos anos.

Para atingir esse objetivo, estão sendo realizadas diversas atividades, entre as quais, a realização de debates sobre as tendências políticas e econômicas nacionais e mundiais, com o propósito de fornecer subsídios aos dirigentes cooperativistas do Paraná na tomada de decisões.

Fotos: Reprodução Rede Massa/SBT