Uma jovem de 20 anos de idade, que reside em Francisco Beltrão, procurou a equipe de reportagem da Rádio Onda Sul FM para relatar um fato que vem tirando a sua liberdade, paz e sossego.

Segundo ela, há aproximadamente 07 (sete) anos conheceu um rapaz, com o qual teve um relacionamento muito
rápido, sem qualquer compromisso sério. Em dezembro de 2018 acabaram se reencontrando e até saíram juntos novamente. O que ela não sabia é que o rapaz estava em um relacionamento com outra pessoa. Ao saber desse detalhe, a relatante resolveu não ter mais contato com o rapaz e começou a ignorar as suas mensagens e convites para sair.

Diante tal atitude da jovem, o rapaz começou a criar confusão. As primeiras difamações e injúrias vieram através de perfis “fakes” do Facebook, utilizando nomes e fotos falsas. Apesar de buscar esquecer tudo que tinha
acontecido até então, começaram os contatos através do aplicativo Whatsapp. Inicialmente as mensagens eram de insistência no sentido de querer ver e sair com ela novamente. Mesmo possuindo namorada, ele afirmava que queria ter pelo menos uma única vez de relação mais íntima com ela. Caso ela aceitasse, ele iria parar de incomodar e não mandaria mais mensagens.

Disposta mais uma vez a esquecer tudo isso, a jovem começou um relacionamento com outra pessoa, mas quando o aborrecedor descobriu, começou a ameaçar, difamar, caluniar e expressar sentimentos de ódio contra a jovem e o seu namorado. Foram vários meses enviando mensagens desse teor. Não contente, começou a mandar mensagens de difamação, injúria e ameaças no Whatsapp e na página do Facebook da empresa onde ela trabalha, mensagens essas, inclusive, com teor de ameaças direcionadas a outros colaboradores da empresa, que resultou na sua demissão. No momento ela se vê acuada por não poder sair de casa, sem liberdade para poder sair sozinha e agora sem o seu emprego, o qual batalhou muito para conseguir.

Não acreditando ter outra saída, a jovem procurou um advogado que por vez, fez todos os tramites legais para que a justiça pudesse de alguma forma resolver a situação, no entanto, a relatante alega demora por parte da justiça, no desfecho do caso. Por esse motivo, ela procurou a rádio, no intuito que o caso tenha repercussão e assim uma providência seja tomada, antes que algo pior aconteça.

Diante dos fatos, a equipe de reportagem da Rádio Onda Sul FM, conversou com a Doutora Emanuelle Baggio, Delegada Titular da Delegacia da Mulher de Francisco Beltrão, que explicou quais providências a vítima deve tomar diante desse tipo de caso e quais as medidas são tomadas por parte da justiça.

“Diante de qualquer sinal de violência, a vítima deverá procurar pela delegacia da mulher ou pela delegacia mais próxima, para registro da ocorrência. Quanto antes procurar por ajuda, mais rápida será a resolução do caso. Quando a vítima for a delegacia, deverá levar todas as provas que possuir (no caso em questão, os prints dos perfis fakes, mensagens de WhatsApp, qualificação de testemunhas etc). Cada caso é analisado individualmente, então o tempo de resolução dependerá das diligências necessárias em cada caso. Mas é importante ressaltar que todos os casos são tratados exclusivamente dentro da legalidade, para garantir que a vítima tenha acesso ao atendimento e que o investigado seja ouvido dentro dos ditames legais. O tempo de resolução de cada caso varia de acordo com a complexidade dos casos. Se as provas estiverem pré-constituídas, sem dúvida o andamento é mais rápido. Todavia, nos casos, por exemplo, em que é necessário algum pedido de quebra de dados/sigilo, oitivas em outras cidades, etc, o trâmite e mais demorado. Assim, sem entrar no mérito do caso ilustrado, a demora pode ser relativa à complexidade dos casos. Como já dito, tudo dependerá do caso e será analisado individualmente”. Destaca, Emanuelle.

Os crimes virtuais são aqueles que se enquadram com alguns delitos tipificados no Código Penal Brasileiro, e as punições serão aplicadas de acordo com cada caso. Dentre eles, os crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) e ameaça.

Confira o áudio da matéria na íntegra: