Apesar de a reintegração de posse ter sido expedida a favor da empresa Araupel, grupo de 1,4 mil famílias sem-terra permanece na área invadida, que é também o principal setor de produção de matéria-prima da madeireira. Devido a isso, as negociações entre empresa, MST, Incra, Secretaria Especial para Assuntos Fundiários, Polícia Militar e Ouvidoria Agrária Nacional continuam.

Uma reunião realizada na semana passada, na Câmara de Cascavel, tentou, pela quinta vez, solucionar esse impasse. Para isso, o Incra elaborou proposta à Araupel para que fossem cedidos 40 alqueires de terra aos acampados, informando que essa cessão não prejudicará o desempenho da madeireira. “Isso trará mais tranquilidade às famílias e também à empresa, visto que somente as pessoas que já estão lá poderão ser assentadas, evitando novas invasões e a chegada de número maior de pessoas”, relatou o superintendente do Incra no Paraná, Nilton Guedes. Ele ainda comentou que essa medida impediria o despejo forçado dos invasores.

O Incra fará um estudo sobre a questão dominial dos 33 mil hectares que hoje estão registradas em nome da Araupel, além dos 51 mil hectares já cedidos para o processo de reforma agrária. Segundo o Instituto, o levantamento demorará até cinco meses para ser finalizado e, nesse período, os sem-terra permaneceriam no local.

Entretanto, o diretor-executivo da Araupel, Tarso Giacomet, informou que a madeireira não possui mais área disponível para a reforma agrária. “Não dispomos de terra para ceder, mesmo que temporariamente. Se qualquer espaço for destinado a assentamento, a cadeia produtiva da empresa será prejudicada”, afirma. Giacomet pediu ao Incra que os acampados fossem acolhidos no Assentamento Celso Furtado, local de onde os invasores saíram há mais de 20 dias.

Se o estudo apontar a legitimidade das terras à Araupel, os sem-terra deverão sair imediatamente do local. Porém, o Incra levanta dúvidas sobre o registro dos imóveis e garante que se a área pertencer à União, a madeireira deverá aceitar um novo assentamento.

A Ouvidoria Agrária Nacional, representada por Marcelo Oliveira Nicolau, mediou a negociação e tentará finalizar as conversações em um próximo encontro. “Mesmo com a ordem judicial de reintegração de posse, o Estado não precisa cumpri-la imediatamente. Por isso, há ainda a tentativa de um acordo pacífico”, diz Nicolau. O Estado continuará com a tentativa de negociação pelo diálogo.

Em entrevista à Rádio Onda Sul FM, de Francisco Beltrão, nesta quarta-feira (13), o superintende regional do Incra, Nilton Guedes, falou sobre o assunto, explicando todo o processo que envolve o MST e a Araupel desde a década de 90, quando ocorreu a primeira invasão em Rio Bonito do Iguaçu.

Ouça a entrevista no link abaixo: