Os javalis que habitam a região de Ponte Serrada, Passos Maia, Água Doce, entre outros municípios do oeste catarinense, têm gerado uma série de prejuízos aos agricultores. Além disso, o assunto gera muitas dúvidas sobre como realizar o abate dos animais de maneira legal, de acordo com a Normativa federal, que autoriza a caça de forma controlada em todo o país.

Os exemplares encontrados na região são da espécie Sus Scrofa Scrofa, originário da Europa, Ásia e norte da África. Os animais chegaram à América do Sul no inicio do século 20, trazidos da Europa para a Argentina. Várias hipóteses foram levantadas sobre a migração dos javalis para o Brasil. Uma delas, é a de que boa parte dos animais chegaram ao país clandestinamente, transportadas por pessoas interessadas na sua criação e até mesmo para a caça. Outro relato aponta para a tentativa de criação em cativeiro no município de Palmeira, região central do Paraná, na década de 1960. Devido ao seu temperamento selvagem, os javalis acabaram fugindo e se dispersando por ambientes fora de sua ocorrência natural.

Taíse Bresolin, Chefe do IBAMA em Chapecó (Foto: Marcio Cunha)
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Taíse Bresolin, Chefe do IBAMA em Chapecó (Foto: Marcio Cunha)

Segundo a chefe do escritório regional do IBAMA de Chapecó, Taíse Bresolin, o javali é considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo. Entre os impactos ambientais provocados estão a transmissão de doenças para os animais nativos, a diminuição de espécies vegetais nativas, que causa a aceleração do processo de erosão e o aumento do assoreamento dos rios, além de ataque às  plantações,  com perdas de até 60% da safra e o ataque às criações de animais domésticos e até mesmo contra humanos.

Conforme Bresolin, os interessados realizar o abate dos javalis devem efetuar o Cadastro Técnico Federal junto ao IBAMA, através do site do órgão. No documento deverá ser informada qual atividade será desenvolvida, quais pessoas realizarão o manejo, quais áreas serão abrangidas e o período do abate. Todos os inscritos devem encaminhar um relatório semestral ao à unidade estadual do IBAMA, onde é feito o controle do abate. Com relação ao armamento, as informações devem ser obtidas junto ao Exército, através da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados – DFPC – Legislação – Colecionadores, Atiradores e Caçadores (Clique aqui). Caso seja flagrado o abate de javalis sem autorização dos órgãos competentes, os infratores sofrerão as penalidades previstas em lei.