Tribunal do júri ficou lotado do começo ao fim do julgamento. Foto: Evandro Artuzi/RBJ
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Tribunal do júri ficou lotado do começo ao fim do julgamento. Foto: Evandro Artuzi/RBJ

Em julgamento realizado nesta quinta-feira (1), o Tribunal do Júri da Comarca de Francisco Beltrão, Sudoeste do Estado, condenou Edinei Goetz Pereira, 24 anos, a 70 anos de reclusão, inicialmente em regime fechado, pelos crimes de tentativa de homicídio e feminicídio.

O julgamento teve duração de 12 horas. Foi presidido pela juíza Janaina Monique Zanelatto Albino, tendo na acusação a promotora Silvia Skaetta Nunes e na defesa atuou o advogado Rodrigo Finatto. Os crimes envolvendo o réu aconteceram em março de 2016, no bairro Pinheirinho. Na ocasião, Edinei invadiu a casa da ex-mulher Leila Cristiane Bloemer, 31 anos, e atirou contra ela, o pai e o namorado dela. O pai Daniel Bloemer, 58 anos, e o namorado Sérgio André Moraes, 32 anos, foram socorridos e sobreviveram. Leila, atingida por dois disparos, não resistiu e morreu ainda no local. Edinei Gotez Pereira foi preso pela Polícia Civil no dia 18 de março de 2016 e desde então aguardava o julgamento recolhido na carceragem temporária da 19ª SDP.

Familiares e amigos de Leila acompanharam o júri empunhado cartazes com pedidos de justiça. Foto: Evandro Artuzi
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Familiares e amigos de Leila acompanharam o júri empunhado cartazes com pedidos de justiça. Foto: Evandro Artuzi

Familiares e amigos de Leila acompanham o júri, do início ao fim. Com faixas amarradas na cabeça e segurando cartazes pediam justiça e ficaram satisfeitos com o resultado. A mãe de Leila, dona Lúcia Bloemer disse à reportagem da Rádio Onda Sul FM/RBJ que a justiça foi feita e que isso sirva de lição para os homens que agridem ou pensam em cometer crimes contra mulheres. “Foi feito justiça, pra ela já anão adianta mais né, mas tem tantas e tanas mulheres que tão sofrendo né, que tão sendo maltratadas e uma pena assim vai fazer o homem pensar que não vale a pena matar né. Se a pena fosse levinha, eles iam dizer, viu te mato daí vou lá fico 5 ou 6 anos e saio, então acho que essa serviu de exemplo né”, disse.

Esse foi o primeiro caso de feminicídio julgado em Francisco Beltrão. O crime é considerado hediondo e foi incluído no código penal brasileiro em 2015. Para a promotora Silvia Skaetta Nunes, o resultado foi satisfatório. Ela afirma que o corpo de jurados, assim como o Poder Judiciário, entendeu a gravidade dos crimes praticados por Edinei, visto que ele mantinha um histórico de agressões e ameaças contra Leila, inclusive uma medida protetiva que o impedia de se aproximar dela. “A pena foi extremamente bem aplicada, bem fundamentada, todos os presentes ouviram a fundamentação né, crime extremamente grave, aliás três delitos extremamente graves recheados de muitas circunstâncias que merecem uma reprovação penal exemplar até pra que a gente consiga inibir novas condutas”, disse.

O advogado Rodrigo Finatto, que atuou na defesa de Edinei, preferiu não gravar entrevista, mas adiantou que deve recorrer da decisão junto ao Tribunal de Justiça. Edinei Goetz Pereira foi encaminhado direto à Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão para iniciar o cumprimento da pena.