Indígenas da comunidade Ângelo Cretã ocuparam a área do Parque Estadual de Palmas, Sul do Paraná, reclamando da falta de estrutura em serviços de saúde, transporte e educação e reivindicam a posse da área, alegando que o Governo Estadual não realiza a fiscalização do local, o que facilita a ação de pessoas que entram na área do parque para extrair madeira e pinhões das araucárias existentes.

Liderança indígena, cacique João Santos
  • Compartilhe no Facebook

Liderança indígena, cacique João Santos

Segundo a liderança indígena, cacique João Santos, a administração municipal não oferece uma estrutura adequada de estradas para o acesso à comunidade, localizada no bairro Aeroporto. Além disso, reclama da falta de apoio por parte do Governo Federal, através da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena), no encaminhamento de veículos oficiais para o atendimento dos moradores da aldeia Ângelo Cretã, que atualmente conta com 200 indígenas.

Outro ponto de reivindicação é a deficiência no transporte para os estudantes, visto que a comunidade não conta com uma escola para as séries iniciais, e assim, as crianças têm que se deslocar para as escolas de outros bairros. Além disso, problema enfrentado também por acadêmicos de todo o município, que não contam com meio de transporte público para o Instituto Federal do Paraná nos bairros, tendo que se deslocar até o centro da cidade para pegar a condução. “Nós estamos completamente abandonados”, afirma o cacique.

Sobre a propriedade da área, Santos afirma que desde a criação do Parque Estadual, o Governo paranaense nunca realizou fiscalizações no local. “Dizem que é parque ambiental, mas esta terra está abandonada. Nós queremos cuidar, preservar a mata. Outras pessoas entram aqui com caminhões e tratores, tirando madeira e pinhão”, denuncia.

Salienta que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) já foi informada sobre a ocupação e dentro de poucos dias deverá enviar uma antropóloga para a realização de estudos e o encaminhamento do processo para tomar posse da área.