Os professores do Paraná voltam às ruas nesta quinta-feira (19), a fim de pressionar o Governo estadual a atender as reivindicações da categoria, que completa 11 dias em greve. Em Palmas, sul do Estado, docentes e funcionários estão reunidos na Câmara de Vereadores desde às 09h. Na capital, a concentração em frente ao Palácio Iguaçu iniciou às 10h e prossegue no período da tarde. Às 14h30, uma comissão de negociação do sindicato se reúne com o governo.

“O que queremos é o início das aulas.", disse Sciarra
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“O que queremos é o início das aulas.”, disse Sciarra.

Em coletiva de imprensa, o secretário chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, afirmou que serão apresentadas à APP-Sindicato as mesmas propostas anteriores à greve, entre elas, o pagamento das indenizações aos 29 mil funcionários contratados via PSS (Processo Seletivo Simplificado) demitidos no final do último ano, o que totalizará cerca de R$ 84 milhões. Sobre o pagamento do terço de férias, o Governo pretende parcelar em três vezes: fevereiro, março e abril. Conforme ele, a prioridade do Governo é que as aulas iniciem o quanto antes.

O secretário também informou que o pacote de medidas para contenção de gastos, apresentados na última semana e que foram retirados da pauta após as manifestações do magistério estadual, será reapresentado à Assembleia Legislativa. Entretanto, desta vez não não será pedido regime de urgência, nem transformação do plenário em comissão geral para a votação dos projetos, o chamado “tratoraço”.

Salientou que foram excluídas desse pacote algumas medidas já negociadas com o funcionalismo, como o fim das gratificações por tempo de serviço, do auxílio transporte para professores afastados e medidas que mudavam regras para concessão de licenças e promoções da categoria.

Sobre os projetos de incorporação do fundo previdenciário Paraná Previdência ao fundo financeiro permitindo que as atuais aposentadorias sejam pagas por esse fundo; e a criação de um fundo complementar de aposentadoria para futuros servidores, com limite de benefícios pelo regime geral de previdência, Sciarra informou que o Governo irá reapresentá-los. A justificativa é de que o as medidas são necessárias para o enfrentamento da crise econômica pela qual o país está passando.

Segundo levantamento publicado pelo jornal Folha de São Paulo, na última segunda-feira (16), o Paraná fechou 2014 como o segundo estado que teve maior déficit no orçamento público. No ano passado, o rombo nas contas do governo paranaense foi de R$ 4,6 bilhões. O desequilíbrio entre receitas e gastos nas contas estaduais coloca o Paraná atrás apenas do Rio de Janeiro, que teve um saldo negativo de R$ 7,3 bilhões no ano passado.

"Estamos contando os centavos", declarou Costa.
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“Estamos contando os centavos”, declarou Costa.

Em entrevista ao mesmo jornal, o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, declarou que “hoje, nós (Governo do Paraná) não temos recursos para nada. Estamos contando os centavos para fazer o pagamento da folha”, reconhecendo que a situação é grave. Sobre algumas medidas reivindicadas, como o vale transporte para os professores afastados, justificou que a extinção do benefício seria um corte de privilégios e não uma perda de direitos da categoria. Reconheceu que o Governo paranaense não soube gestionar os recursos no primeiro mandato de Beto Richa (PSDB), gastando-se mais que se deveria.

A APP-Sindicato reforça que a greve não se encerra nesta quinta-feira. Uma reunião do Comando de Greve Estadual acontecerá na sede estadual da APP neste sábado (21). Este comando, composto por representações de todos os núcleos sindicais é que definirá se convoca ou não uma assembleia, com isso, até lá a paralisação continua.