O fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná voltou a ser debatido na Assembleia Legislativa. O assunto ainda não encontra unanimidade no setor. O risco de reaparecimento da doença e a incerteza quanto aos benefícios econômicos com a suspensão seguem sendo alvo de questionamento por parte da cadeia produtiva. A última campanha de imunização foi encerrada no último domingo (31).

O presidente da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), Inácio Kroetz, defende a suspensão das vacinações. Explicou que, caso ocorram novos focos da doença após o fim da vacinação, o reconhecimento internacional como área livre da aftosa pode ser recuperado em três meses. O representante da Faep (Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná), Ronei Volpi, reforçou o argumento, destacando que o Estado dispõe de R$ 56 milhões para cobrir eventuais prejuízos que uma nova ocorrência da aftosa poderia gerar. Os recursos fazem parte do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Fundepec).

Por sua vez, o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Moacir Sgarioni, voltou a criticar o fim da vacinação. Ele alertou para o risco de fraudes no sistema de defesa agropecuária e indicou que há outros efeitos colaterais negativos, como a realização de eventos.  Representando a indústria de vacinas, o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, argumentou que o ideal seria desmistificar a diferença entre áreas com e sem vacinação.

Membros de outros elos da cadeia produtiva também compareceram a audiência para opinar sobre a questão. O diretor presidente da Frimesa, Valter Vanzella, que congrega cinco cooperativas do estado, apontou que o impasse da aftosa também afeta a suinocultura. A empresa tem colaborado nos investimentos para reforçar a estrutura de defesa sanitária do estado, inspirado no exemplo de Santa Catarina. Vanzella revela que a continuidade da vacinação pode repelir investimentos. Informou que a Frimesa tem um projeto para construção de um novo frigorífico no próximo ano, mas se a perspectiva não for favorável a empresa terá que repensar o projeto.