O governador Beto Richa entregou ontem (27) a renovação da licença de instalação da Usina Baixo Iguaçu, que está sendo construída entre Capitão Leônidas Marques e Capanema, no Sudoeste do Estado. A licença foi emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e é um passo fundamental para a retomada das obras da usina, interrompidas há um ano. Com a licença do IAP, a Copel e a Neoenergia, responsáveis pelo empreendimento, vão discutir com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a anuência para o retorno das obras o mais breve possível.

Richa entregou o documento em solenidade realizada no canteiro de obras da usina, com a presença do presidente da Copel, Luiz Fernando Vianna; do presidente do Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu, Felipe Moreira; e do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano.

O investimento é de mais de R$ 1,6 bilhão. A usina terá potência de 350 megawatts, suficiente para atender ao consumo de um milhão de pessoas.

“Nesse momento de crise financeira nacional e de retração da economia, é muito importante retomar as obras dessa grande usina, que gera empregos, renda e energia para o Brasil”, afirmou o governador. Ele disse que o setor energético brasileiro passa uma séria crise e que o Paraná dá a sua contribuição como um dos maiores geradores de energia do País.

“Acompanhei a angústia dos moradores da região pela retomada das obras, até mesmo pelo grande número de desempregados. Com a liberação da licença, as contratações começarão”, afirmou. O prazo para conclusão da obra é em 2017.

Famílias

Richa explicou que, para liberação da licença, o governo estadual exigiu da empresa o assentamento de todas as famílias impactadas pela obra. “Tivemos um cuidado especial com as famílias. Fizemos reuniões para encontrar a melhor alternativa”, disse. Ele enfatizou, também, o compromisso do governo com as questões ambientais. “Fomos criteriosos com os impactos ambientais. A bacia do Rio Iguaçu é muito importante para o Paraná”, afirmou. A expectativa é que em duas semanas o ICMBio emita licença que autoriza o alagamento das áreas da usina. “Estamos conversando com o Instituto Chico Mendes para conseguir a liberação o quanto antes”, completou Richa.

O presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, explicou que a licença ambiental foi, sob o ponto de vista técnico, muito bem trabalhada, com toda segurança jurídica e transparência necessária. “A obra está de acordo com todas as normas ambientais”, disse ele.

Para o presidente do Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu, Felipe Moreira, a expectativa é retomar o quanto antes as atividades sem nenhuma paralisação. “É uma obra que os empreendedores da Copel e da Neoenergia acreditam ser muito importante para a região. Essa energia vai ser jogada no sistema interligado de energia para distribuição de uma energia mais eficiente para todo o País”, disse.

Emprego e tributo

No pico das obras, haverá cerca de 3 mil operários no canteiro. O ISS gerado durante a obra deve chegar a R$ 12 milhões para Capanema e R$ 5 milhões para Capitão Leônidas Marques. Além disso, quando começar a produzir energia, em 2017, a usina vai pagar compensação financeira pelo uso dos recursos hídricos. A previsão é de sejam pagos R$ 7 milhões por ano para cinco municípios, já que o reservatório também abrangerá áreas de Realeza, Nova Prata do Iguaçu e Planalto.

A prefeita de Capanema, Lindamir Denardin, e o prefeito de Capitão Leônidas, Ivar Barea, também destacaram os benefícios da obra para a região. “Estamos confiantes que logo as obras da usina sejam retomadas e os empregos recuperados. A construção dessa unidade é muito importante para Capanema e para o Brasil, que vive hoje uma séria crise energética”, afirmou Lindamir Denardin.

A prefeita ressaltou que, com o aumento da arrecadação do ISS, garantirá melhoria nos serviços públicos oferecidos para população. “Com o canteiro de obra fechado, os funcionários continuaram morando aqui, sobrecarregando os serviços de saúde e da área social. Graças a negociação rápida do governo estadual conseguimos avançar”, disse ela.

O prefeito de Capitão Leônidas Marques exaltou o impacto do empreendimento para a cidade. “Perdemos uma área e o processo de construção de uma usina tem essas políticas de compensação, que acrescentam e melhoram ainda mais a receita do município”, disse. Com 16 mil habitantes, Capitão Leônidas Marques terá um importante incremento de receitas. “Um recurso justo e necessário, que ajudará município a melhorar os serviços públicos”, disse o Ivar Barea.

Obras iniciaram em julho de 2013

A construção da usina começou em julho de 2013 e parou há um ano. A nova usina ficará cerca de 30 quilômetros à jusante (rio abaixo) da Usina Governador José Richa (Salto Caxias) e terá três unidades. A casa de força será do tipo abrigada e ficará no município de Capanema, na margem esquerda do rio.

Um conjunto composto por subestação e linha de transmissão também será construído para conectar a usina ao Sistema Interligado Nacional. A linha terá 60 quilômetros de extensão e ligará Baixo Iguaçu à subestação Cascavel-Oeste (também da Copel) em 230 mil volts.

No Iguaçu, já são operadas cinco hidrelétricas de grande porte: Foz do Areia, Segredo, Salto Caxias – todas de propriedade da Copel -, mais Salto Osório e Salto Santiago, estas pertencentes à Tractebel. Juntas, elas totalizam 6.674 megawatts de potência instalada.

Baixo Iguaçu será o último empreendimento energético previsto para o Iguaçu, principal rio paranaense.

Reservatório pequeno, com lago operado a fio d’ água

Uma barragem será erguida no leito do Rio Iguaçu para permitir a formação do reservatório, que terá apenas 31,63 quilômetros quadrados de superfície – considerado bastante pequeno em comparação com outras hidrelétricas do mesmo porte. Se descontar a calha do rio, a área efetivamente alagada (e a ser indenizada) é de 13,5 quilômetros quadrados.

O lago será operado “a fio d’água”, o que significa dizer que não terá a função de acumular grande volume hídrico para regularizar a vazão do rio e, com isso, consequentemente, minimizará eventuais impactos ambientais.

A barragem será de terra e enrocamento com núcleo de argila e terá 516 metros de extensão e 15 metros de altura visível.

Fotos: Arnaldo Alves / ANPr