O gari Ilvo José de Moura, 51 anos, compareceu na 19ª SDP (Subdivisão Policial) de Francisco Beltrão na manhã de ontem (22) para registrar um boletim de ocorrência por agressão. O funcionário público, que trabalha na coleta de lixo há 23 anos, teria sido agredido durante a madrugada de terça-feira (21) enquanto fazia a coleta na Rua Mato Grosso, no Bairro Vila Nova.

Ilvo disse à reportagem que trabalhava tranquilamente quando foi abordado pelo rapaz e violentamente agredido com um soco no rosto, além de ter sofrido ameaças de morte. O agressor, identificado como Paulo Bortolotto, teria acusado o gari de invasão de propriedade, no entanto o funcionário público nega. “Ele disse que entrei no terreno dele, eu jamais fiz isso, apenas estava fazendo meu serviço como acontece há mais de 20 anos, mas ele não quis acreditar dizendo que eu estava disfarçado”, declarou.

O gari ficou com hematomas nos braços e pernas e também tem reclamado de dores na cabeça, resultado da queda que sofreu ao ser atingido por soco. Depois de registrar o boletim de ocorrência, ele foi encaminhado pela Polícia Civil ao IML (Instituto Médico Legal) para fazer o exame de corpo de delito, que vai comprovar a agressão.

Triste pelo fato ocorrido, o gari disse que mais do que ferimentos no corpo, está com a alma machucada, pois durante os mais de 20 anos de profissão nunca teve problemas com ninguém. “Nunca aconteceu na minha vida, só trabalho no meu servicinho, não faço nada nem pra um cachorro, imagine para uma pessoa e ele vem agredir a gente…… esse trabalho é meu ganha pão, se não passo fome”, desabafou.

Nossa reportagem tentou falar com o suspeito sobre o fato, mas ele não foi localizado em sua casa. Depois do fato se tornar público, ele também desativou seu perfil nas redes sociais. No entanto, Paulo Bortolotto esteve na Delegacia de Polícia. Em depoimento, declarou que jamais houve agressão como afirma o gari. A única coisa que fez foi empurrar ele, mas em nenhum momento bateu.

De acordo com Paulo, o fato ocorreu depois que sua irmã disse ter visto um homem pulando o muro da propriedade, por isso acreditou se tratar de alguém que tentava roubar. Paulo ainda declarou no depoimento que o homem vestia uma roupa com faixas refletivas, nesse caso o uniforme dos garis.

Bortolotto foi autuado em um Termo Circunstanciado (TC) e deverá comparecer em juízo, junto com o gari, no mês de junho quando será realizada audiência sobre o fato.