Foi realizado na última semana, em Teresina, capital do Piauí, o I Simpósio Internacional de Raças Nativas: Sustentabilidade e Propriedade Intelectual, realização da Superintendência Federal de Agricultura no Piauí (SFA-PI) e a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos Curraleiro Pé-Duro (ABCPD) com o objetivo de atualizar técnicos, pesquisadores, criadores e estudantes sobre a preservação e o desenvolvimento das raças nativas.

O evento contou com a participação de renomados profissionais, nacionais e internacionais, que ministraram palestras sobre conservação e melhoramento de recursos genéticos animais; sistemas produtivos sustentáveis e propriedade intelectual. Um dos palestrantes foi o Superintendente de Registro Genealógico da ABC Caracu (Associação Brasileira dos Criadores de Caracu), cuja sede nacional localiza-se em Palmas, sul do Paraná, José Luiz Strapasson, que abordou parte da história e do desenvolvimento genético da raça Caracu, que num determinado período chegou a ser extinta, mas encontrou no Paraná o ressurgimento da raça.

Conforme ele, até a década de 1930, o Estado de São Paulo tinha o maior rebanho de Caracu do país. No entanto, com a introdução do gado Zebuíno e o cruzamento com várias raças do rebanho brasileiro, fez com que a Associação Brasileira dos Criadores de Caracu, então com sede no Estado paulista fosse extinta, o que decretou também a extinção da raça no Brasil.

Ao entrar nos quadros da EMATER na década de 70, Strapasson destacou o seu trabalho, juntamente com criadores palmenses para o renascimento do Caracu, através de assistência técnica especializada e investimentos em melhoramento genético, o que faz o Caracu palmense ser considerado o melhor do Brasil.

Explicou que o Caracu originou-se do cruzamento de animais trazidos pelos colonizadores europeus ao Brasil, com espécies nativas e que numa seleção natural, acabou chegando às características marcantes da raça, como resistência tanto à baixas e altas temperaturas, boa produção de leite, mesmo com comida escassa, docilidade, formação de couro e pelagem resistente à parasitas, entre outras. Segundo Strapasson, a ABC Caracu atua hoje nos 26 Estados da Federação, com 140 associados e mais de 140 mil animais registrados.