O emprego da tecnologia no âmbito público está em constante evolução e muitas prefeituras despontam com sistemas que oferecem melhor gestão dos serviços e agilidade na operacionalização e levantamento de dados. As formas de como implantar esses sistemas, os exemplos e que caminhos seguir para obter recursos, por exemplo, foram discutidos amplamente nesta quinta-feira (20) na sede da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) com prefeitos, secretários, jurídico das prefeituras e funcionários ligados a área de tecnologia. Empresas que prestam serviço também apresentaram suas ferramentas de inovação.

A iniciativa realizada em parceria entre a Amsop, prefeitura de Francisco Beltrão e Rede Cidade Digital (RCD) contou ainda com apoio da Agência de Desenvolvimento Regional, Associação dos Municípios do Paraná (AMP), e da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação, Software e Internet no Paraná (ASSESPRO-PR).

Exemplos

Na oportunidade foram tratados temas nas áreas de segurança da informação, gestão da iluminação pública com ênfase em consórcios municipais, além de softwares de gestão nas áreas de saúde, educação, rural, assistência social e cultura.

Representantes de municípios que estão á frente em sistemas digitais, como o caso de Bom Sucesso do Sul, foram apresentados. Joel Bortot, diretor municipal de Indústria, Comércio e Turismo relatou o funcionamento do programa Internet Gratuita no município. Cada cidadão que estiver em dia com os tributos municipais podem utilizar o sinal gratuito de internet em sua casa. Além disso, o município centralizou na página do município programas de informação para contribuinte como o Portal Transparência.

Outro bom exemplo foi apresentado pelo município de Turvo. A secretária municipal de Saúde Sonia Roth Bruger contou que o uso da tecnologia está ofertando grande agilidade na atuação dos agentes de saúde. “Distribuímos tabletes para os agentes utilizarem em suas atividades diárias obtendo dados mais precisos e em tempo real. Acabou com a papelada, conseguimos monitorar trabalho dos agentes, sincronismo nos dados e obter um diagnóstico mais preciso da realidade social”, disse a secretária, que já recebeu 3 prêmios nacionais pela inovação.

Com relação a grandes investimentos, o caso de Toledo chamou atenção. Elizabeth Timm Balcewicz, coordenadora do programa Cidades Digitais de Toledo revelou que o município implantou rede de fibra ótica própria. “Foram muitas ações e muitas estão sendo desenvolvidas, mas o grande investimento foi na rede de fibra. Implantamos em 14 km por meio de programa junto ao Ministério das Comunicações e outros 22 km pelo Ministério da Justiça para as câmeras de monitoramento. Formamos um anel que passa pelos principais pontos públicos, com sinal gratuito em 4 locais”, especificou Elizabeth, apontando que foram investidos mais de R$ 1,2 milhões em fibra. Avisa para os agentes públicos ficaram atentos aos convênios que são ofertados e que precisa de agilidade para cadastrar.

Investimento x desconhecimento

O diretor da Rede Cidades Digitais José Marinho ressalta os inúmeros empregos da tecnologia para as prefeituras e lembra que muitos municípios não empregam por falta de conhecimento. “A questão do investimento é muito relativo com o que se pretende implantar no município. Pode ser de baixo custo como a questão de sinal de internet, ou que demanda de mais recursos que podem ser solicitados através de linhas de crédito pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O fato é que o receio está na desinformação. Quando conhecer não fica indiferente”, comentou Marinho que pretende criar um núcleo de articulação no sudoeste para não deixar o assunto morrer.

Para o presidente da Amsop prefeito de São João Altair José Gasparetto “é importante dar apoio a essas iniciativas até porque integram a Carta do Sudoeste. Temos a preocupação que todos os municípios possam obter bons projetos de modernização que possam contribuir com a gestão pública e reduzir custos”, observa Gasparetto.

O prefeito de Francisco Beltrão vice-presidente da Amsop Antonio Cantelmo Neto salientou que ainda se usam sistemas municipais que não trocam informações entre si. “Temos sistemas na prefeitura e em outros órgãos que não se conversam, não conseguem interagir. Precisamos avançar nisso e entendo que seja uma ansiedade dos gestores públicos. Temos que encontrar caminhos”, afirmou Neto.

O diretor da Agência Célio Boneti frisou que “fala-se muito em acesso a informação, mas pouco foi feito até agora nos municípios. Esta foi uma oportunidade impar de trabalhar a qualidade desses sistemas”.