Por Everton Leite

A estimativa do governo brasileiro, através do Ministério da Saúde é de que entre 490 e 530 mil pessoas estão infectados com vírus da Aids no Brasil. A partir desse número, calcula-se também que 135 mil pessoas ainda não sabem que convivem com HIV e portanto não procuram o tratamento adequado. Isso significa que um em cada quatro brasileiros, ou seja, 25,5% infectados com o vírus desconhece a situação de risco que vive.

O ministério da saúde divulgou no último dia 20, o novo boletim epidemiológico da doença no Brasil e o resultado não é nada animador. Desde que iniciou a divulgação destes números em 2005, aumentou em 340%, os casos confirmados até 2012. Os números foram apresentados para alertar sobre a importância em realizar o diagnóstico precoce, e também, em virtude do Dia Mundial de Combate a Aids, celebrado sábado, dia 1º de dezembro.

Para reverter o quadro de epidemia, o Ministério da Saúde montou uma campanha nacional para incentivar o teste rápido de HIV, sífilis e hepatites virais(como B e C).

Paraná

No estado, as autoridades públicas de saúde estão preocupadas com aumento de casos confirmados e proliferação de HIV entre jovens e idosos. O problema é apontado por especialistas como um “mal cultural”, até porque, informação existe, assim como a distribuição gratuita de camisinhas. Mesmo assim, a prevenção está sendo deixada de lado.

Outro fator apontado está relacionado ao desenvolvimento da medicina com medicação específica e que garante conviver com a doença sem maiores problemas, mesmo para aqueles que tiveram a doença confirmada há mais de 20 anos, pois antigamente era considerada uma sentença de morte.

Os idosos, com idade acima de 50 anos, também estão se infectando com maior frequência. O fenômeno é explicado pelo aumento dos divórcios, novos relacionamentos, independência financeira e o uso do Viagra. E os casos confirmados são constatados tanto em homens, como em mulheres.

Francisco Beltrão e região

O serviço de assistência especializada, o SAE, atende os 27 municípios da microrregião de Francisco Beltrão e quase 400 pacientes/mês, nos testes de HIV. A maioria das pessoas que buscam o exame de prevenção contra a AIDS é adulta de faixa etária entre 30 a 45 anos. E a preocupação na região também é com os idosos e jovens.

A psicóloga do SAE, Cláudia Antonelli afirma que a maior dificuldade é incentivar o uso de preservativos para este público. Outra situação é de que alguns casos apenas são expostos durante a gestação e o pré-natal da futura mãe.

O teste rápido é recomendado para toda a população, gratuito e não demora mais que meia hora. O profissional de saúde colhe uma gota de sangue e enquanto aguarda o resultado, presta conselhos para o paciente, e em caso positivo, ela é encaminhada para o atendimento especializado. A estrutura municipal, em parceria com estado e governo federal fornece todo medicamento e exames de forma gratuita para a pessoa que tem HIV positivo.

Um fato alarmante é de que junho até novembro deste ano, cinco pessoa morreram em decorrência das complicações da Aids. Destas, uma era mulher e fazia tratamento e os demais eram homens e morreram sem saber que tinham o vírus.

O médico infectologista do SAE, Valdir Spada Filho afirma que o tratamento é difícil e com efeitos colaterais, porém se seguir a medicação correta, a imunidade pode se estabilizar e o paciente poderá ter uma vida normal. Ele destaca ainda que se a constatação for precoce, o indivíduo tem mais condições de levar uma vida normal. Outro dado importante apontado pelo médico é de que a cada semana aparecem de dois a três casos de hepatite e todos os meses casos novos confirmados de HIV.

Vida Normal

Uma das pacientes atendidas pelo SAE concordou em falar, porém preferiu manter o anonimato. Ela afirma que tem a doença há 20 anos. Desde então, mudou radicalmente os hábitos alimentares e de vida.

Segundo ela, o período mais crítico é o início, quando foi constatada a doença e que ela precisou de um tempo para aceitar o vírus e iniciar o tratamento. A partir daí, continuou executando todas as atividades que sempre fez. Atualmente toma um coquetel de remédios que a mantém com a imunidade normalizada. É casada, tem dois filhos e nenhum deles tem o vírus. Hoje em dia, tem o maior cuidado com procedimentos que possa sangrar e tem algumas limitações em relação ao sexo, sempre usando camisinha.