Boa parte dos moradores do entorno do local em que será construída a trincheira entre o bairro São Miguel e a Linha Santa Bárbara, cruzando a PR 483, poderão contar com um benefício social para pagamento de aluguel no prazo de um ano, até a construção das moradias definitivas. Um projeto de lei solicitando a concessão do benefício foi enviado pela Prefeitura à Câmara de Vereadores e deverá ser votado nesta terça-feira (28).

Batizado de “aluguel social”, o benefício será concedido a 48 famílias que residem de forma irregular na área afetada pela construção. “Pensamos, claro, que essa será uma obra importante, mas também nos preocupamos em não apenas chegar e ir retirando essas famílias de suas casas, já que não têm escrituras dos imóveis, mas dar-lhes condições dignas de moradia”, explica a secretária de Assistência Social, Ana Lucia Manfrói.

Todas as famílias foram cadastradas pela Secretaria, que identificou a realidade de cada uma. Desde o início do ano que a Prefeitura vinha estudando uma forma de desapropriar a área necessária para a construção da trincheira sem que isso acarretasse um problema de ordem social. Com a aprovação do “aluguel social”, cada família receberá mensalmente a quantia de R$ 480,00, que será pago preferencialmente às mães inscritas no cadastro. Durante este período, a Prefeitura dará início à construção de moradias definitivas paras as famílias, por meio de programa habitacional.

Conforme o prefeito Antonio Cantelmo Neto (PMDB), a intenção da Prefeitura em conceder o benefício é uma medida pontual, para resolver este caso em específico. “O objetivo é única e exclusivamente atender as famílias que serão atingidas pela obra e que estão em área invadida, o que também demonstra boa vontade da Prefeitura em ajudá-las até que sejam inseridas e contempladas em um programa habitacional”, diz.

Seu Lourenço Moraes, de 59 anos, é um dos que será contemplado pelo benefício, caso seja implantado. Ele e a esposa residem em uma casa de 70m2 ao lado da rodovia há 24 anos, quando trocou a posse por 12 sacas de feijão. “Eu trabalhava na roça e negociei aqui com um conhecido, que ficou de me passar os documentos do terreno, que ele disse que tinha, mas morreu antes”, conta.

Além das 48 famílias em áreas de invasão, a Prefeitura terá que indenizar uma área de 13.770 m2, que nos próximos dias será avaliada e adquirida pelo poder público. Tão logo este processo esteja concluído serão iniciadas as obras para a construção da trincheira pelo governo do Estado.