Às 10h desta sexta-feira (27) acontece o sepultamento dos seis familiares mortos na madrugada de quinta-feira (26), no distrito de Fernando Machado, interior de Cordilheira Alta, oeste catarinense, há 100 quilômetros de Palmas, sul do Paraná. O funcionário público Alcir Pederssetti, 42, é suspeito de ter matado a tiros cinco integrantes de sua família e logo após, ter cometido suicídio.

Os corpos de Antônio Moresco, 68, Luiza Moresco, 65, Lucimara Moresco, 35, Mônica Moresco Pedersetti, 33, Lana Eduarda Moresco Pedersetti, 16, e do próprio Alcir foram encontrados pela diarista que chegou para trabalhar por volta das 07h.

Alcir Pederssetti Foto:Divulgação/Facebook
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Alcir Pederssetti Foto:Divulgação/Facebook

Segundo ela, ao chegar na casa, encontrou uma das portas apenas encostada. Ao adentrar, encontrou os corpos de Alcir e Lana caídos na sala. Em pânico, saiu correndo em direção ao posto de saúde do distrito de Fernando Machado, onde funcionários acionaram a Polícia.

Chegando no local, a PM constatou o fato, encontrando as vítimas em três locais diferentes da casa. Os corpos do sogro, Antônio, e da cunhada de Alcir, Lucimara, foram os únicos encontrados deitados sobre as camas. Antônio vivia acamado, vítima de um derrame, enquanto que Lucimara, sofria de problemas mentais. Os outros quatro corpos encontravam-se caídos no chão.

Conforme o comandante da Polícia Militar de Cordilheira Alta, Sargento Ângelo Santos Martins, a primeira pessoa a entrar na casa da família e constatar o crime, Alcir era uma pessoa muito querida na comunidade. Informou que a arma presente no local estava legalizada. Alguns vizinhos relataram terem ouvido tiros por volta das 04h30, porém, disseram que era comum Alcir atirar quando achava que havia alguém suspeito no terreno, então não deram importância.

O prefeito de Cordilheira Alta, Alceu Mazzioni, também destacou a personalidade tranquila de Alcir, que há mais de 10 anos trabalhava na Secretaria de Agricultura do município. Amigos relataram que na noite de quarta-feira (25), Alcir teria ido jogar bola, como costumeiramente fazia, e após isso, combinaram a realização de um jantar no dia seguinte. O Executivo decretou luto oficial de três dias nos setores de Administração Pública Municipal. As escolas municipais não abrem nesta sexta-feira. Bandeiras oficiais estão hasteadas a meio mastro na prefeitura do município.

Foto:Divulgação/Facebook
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Monica Pederssetti Foto:Divulgação/Facebook

Informações extraoficiais dão conta de que o casal, Alcir e Monica, estavam em vias de separação. Conforme uma amiga da mulher, a noite de quinta-feira, provavelmente, seria a última em que Alcir passaria na casa da família. No entanto, o suspeito não aceitava o divórcio.

Monica Moresco Pedersseti, é lembrada por amigos e familiares, como uma pessoa conhecida e querida por todos na pequena cidade de pouco mais de 4 mil habitantes. Muitos a apontavam como uma pessoa batalhadora, que além de conduzir sozinha sua loja de roupas femininas, cuidava do pai e da irmã que tinha problemas mentais, ambos encontrados mortos com Mônica.

Lana Pederssetti Foto:Divulgação/Facebook
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Lana Pederssetti Foto:Divulgação/Facebook

Por sua vez, a jovem Lana Pederssetti, 16, deixou muitos planos para trás, dentre eles, o desejo de cursar Medicina. Segundo amigas da vítima, ela cursava o terceiro ano do ensino médio e prestaria vestibular nesse ano. A jovem é lembrada pela beleza, vaidade e pelo empenho no auxílio às atividades da família, tanto na loja de confecções da mãe, como nos cuidados com os avós e a tia que moravam com eles.

O caso surpreendeu até mesmo o perito criminal Jean Osnildo dos Santos. Segundo ele, ao receber a ligação informando de que havia um caso com seis mortos, acreditou se tratar de um trote. Destacou que nem mesmo a organização do Instituto Médico Legal (IML) de Chapecó, para onde os corpos foram encaminhados, estava preparada para uma ocorrência envolvendo seis vítimas. Ele explica que foi preciso mobilizar agentes de outros horários para que houvesse efetivo para lidar com a situação. De acordo com a PM, esse foi o primeiro caso de homicídio de moradores de Cordilheira Alta, desde a emancipação do município, há 22 anos.